Com obras paralisadas do Teatro prossegue sem soluções

Há cinco anos paradas, as obras do novo Teatro Municipal de São José continuam sem data para recomeçar.
Com os alicerces construídos de forma invertida, o caso foi parar na Justiça e atualmente o processo encontra-se na fase de produção de um laudo pericial. O objetivo é apurar um possível prejuízo aos cofres públicos e, consequentemente, os responsáveis pelas irregularidades. O novo teatro, que deve ser instalado em Santana, na zona norte, começou a ser erguido em 2007 com a frente virada para a Avenida Olivo Gomes, quando a mesma deveria ficar voltada para o Parque da Cidade.

O erro foi descoberto dois anos depois, já com as obras paralisadas. Na época, a bancada do PT na Câmara acionou a Justiça, pedindo a condenação do então prefeito Eduardo Cury (PSDB) e o ressarcimento aos cofres públicos dos valores gastos até aquele momento a Teto recebeu R$ 685,4 mil. Cinco anos depois da paralisação das obras, completados anteontem, as fundações invertidas continuam expostas ao sol e à chuva do dia a dia.

Agora, com o agravante de que no local há mato alto por todo lado, denunciando um estado de abandono. O VALE não teve acesso ao processo que corre na 2ª Vara da Fazenda Pública, já que os autos foram remetidos no último dia 23 de abril ao perito que realizará o laudo. Após o parecer técnico, o juiz Luiz Guilherme Cursino de Moura Santos deverá anunciar sua sentença, mas ainda não há previsão de data.

Agora no comando da prefeitura, o PT sustenta que aguarda a decisão judicial para definir o destino da obra, mas não coloca a construção do novo Teatro Municipal entre as prioridades do governo Carlinhos Almeida. “Primeiro, temos que aguardar a decisão judicial. Segundo, a nossa prioridade é concluir obras em andamento. Esta obra do novo teatro está paralisada na sua fundação. Nós vamos avaliá-la num segundo momento. Tenho feito o seguinte: se temos duas obras e uma está começando e outra está na metade, vamos priorizar a que está na metade”, disse Carlinhos a O VALE no dia 10 de abril, durante balanço de 100 dias de gestão. A posição foi reafirmada pela Secretaria de Obras.

“Um representante da Secretaria de Assuntos Jurídicos tem acompanhado a ação judicial, que ainda não tem sentença. A Secretaria de Obras, em parceria com a Fundação Cassiano Ricardo, vem estudando a construção e a viabilidade econômica do projeto original para avaliar o melhor destino para a obra”, disse a secretaria, por meio de nota. Líder do PT na Câmara e uma das autoras da ação judicial, Angela Guadagnin foi direta. “Com a falta de dinheiro e o orçamento como recebemos, esta obra não é a prioridade.”

Diante do impasse envolvendo a obra de construção do novo Teatro Municipal, lideranças da área cultural em São José dos Campos defendem a reabertura do Cine Teatro Benedito Alves, que está desativado há mais de 8 anos. O governo Eduardo Cury (PSDB) chegou a desenvolver um projeto para conceder o espaço à iniciativa privada, mas a administração do prefeito Carlinhos Almeida engavetou a proposta. O prefeito delegou à Fundação Cultural a missão de definir o destino do prédio, localizado na região central.

“São José precisa de um teatro do porte daquele que começou a ser construído, até porque as grandes atrações não estão vindo mais para São José. Mas diante de todo este impasse, o mais viável seria reabrir o Cine Teatro e a iniciativa privada construir um teatro de grande porte”, afirmou o produtor teatral Juca Pugliesi. “É preciso solução rápida. Neste sentido, a melhor saída será revitalizar e reabrir o Cine Teatro”, disse o ator e diretor teatral André Ravasco.

O Vale

Publicado em: 06/05/2013