Futuro de Metálurgicos começam a ser decidido hoje (16)

General Motors e Sindicato dos Metalúrgicos iniciam hoje a série de três reuniões para definir o futuro de 1.500 funcionários considerados excedentes e que podem ser demitidos no próximo dia 26 em São José. O risco é iminente. Pelo menos é a opinião de dirigentes empresariais ligados à indústria e representantes do poder público.

O próprio sindicato admite que a montadora já deixou claro que só aceita negociar novos investimentos para a planta da cidade se o grupo for dispensado. O dia 26 de janeiro é o prazo final de negociação, segundo acordo fechado no ano passado que deu uma trégua temporária nas dispensas e colocou 779 operários em layoff (contrato de trabalho suspenso).

A reunião de hoje começa às 9h na planta de São José. Os próximos encontros serão na sexta e na terça-feira. Os 1.500 operários ameaçados de demissão atuam no MVA, setor onde antes eram montados quatro modelos e hoje restou apenas o Classic. “O sindicato não aceita a demissão dos trabalhadores”, disse Luiz Carlos Prates, o ‘Mancha’, diretor do sindicato local.

Entre lideranças empresariais, o temor de cortes é grande, já que afetaria toda a cadeia produtiva da GM na região. Estima-se que mais 4.500 empregos, além dos 1.500 da montadora, seriam afetados. Para Mário Sarraf, diretor da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), o sindicato precisa mudar sua postura frente às negociações.

“Essa posição inflexível do sindicato não é inteligente. Essa linha de divergência não está dando certo, está na hora de mudar e concordar com a empresa para evitar que ela deixe de investir na cidade”, disse Sarraf. Segundo Almir Fernandes, diretor do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de São José, um acordo para novos investimentos acertado hoje demoraria de dois a três anos para ser concretizado, o que não afastaria o risco imediato de cortes.

“A empresa vai investir, produzir onde tenha mais lucros. O sindicato não aceitou investimentos em 2008, agora precisa entender que não há como manter esses funcionários considerados excedentes que para a empresa”, afirmou ele.

As propostas feitas pelo sindicato, desde a primeira reunião realizada em agosto de 2012, são a continuidade da fabricação do Classic em São José, a produção local de modelos que hoje são importados, a retomada da produção de caminhões, novos investimentos e acordo que garanta a estabilidade do emprego. “A empresa disse que pretende negociar novos investimentos. Mas antes, quer demitir 1.500”, disse Mancha.

Anteontem, o prefeito Carlinhos Almeida (PT) se reuniu com a direção da GM. Em nota, Carlinhos informou que fez um apelo à empresa para que reveja a situação e evite a demissão dos trabalhadores. A nota ainda diz que a prefeitura se colocou à disposição para intermediar o diálogo entre sindicato e montadora. A GM teria se comprometido a se reunir com o sindicato.

“Estamos realmente muito preocupados com a situação e vamos esgotar todas as possibilidades para reverter as demissões”, disse o petista em nota. Procurada ontem, a GM informou por meio da assessoria que não comentaria o assunto.

Em entrevistas anteriores, o diretor de assuntos institucionais da GM, Luiz Moan, confirmou o excedente não só de funcionários no complexo de São José, mas também de maquinário e espaço físico. O complexo de São José, inaugurado na década de 50, já chegou a empregar mais de 12 mil pessoas mas hoje não passa de 7.500.

O Vale

Publicado em: 16/01/2013

Crise economica atinge a Embraer da cidade

A Embraer, de São José dos Campos, entregou 205 jatos em 2012, praticamente o mesmo número do ano anterior (204), segundo balanço divulgado ontem pela fabricante. Na contramão da estabilidade nas entregas, a companhia amargou uma queda de 18,3% em sua carteira de pedidos, o que reflete a dificuldade da empresa em fechar novas vendas. O backlog caiu de US$ 15,4 bilhões em 2011 para US$ 12,5 bilhões no ano passado.

Para o pesquisador de assuntos militares da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora), Expedito Bastos, a ‘vilã’ da história é a crise mundial, que afeta os Estados Unidos e a Europa, onde estão os principais clientes da Embraer.

“Acredito que o pessoal de fora não está comprando por causa da crise. Estão todos cortando custos e comprando menos aviões. Isso também deve estar acontecendo com outras companhias”, disse ele. O que ‘salvou’ a empresa de uma queda ainda maior na carteira de pedidos firmes foi a encomenda de 20 E-jets (5 E-175 e 15 E-190) feita por um cliente não divulgado no quarto trimestre de 2012.

No período, a companhia aérea vendeu 23 jatos comerciais, contra 32 em 2011. O valor de pedidos firmes a entregar também inclui contratos da Embraer Defesa e Segurança, como a execução da primeira fase do projeto Sisfron (Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras), no valor de R$ 839 milhões, com o Exército Brasileiro.

Dos 205 jatos entregues,106 são comerciais e 99 executivos. A carteira de pedidos firmes terminou 2012 com 185 jatos a entregar e 1.093 pedidos. Em 2011, a Embraer fechou com 249 jatos encomendados e 1.941 opções. De acordo com a empresa, os números estão dentro da meta estipulada para 2012, de 105 unidades comerciais e 90 na aviação executiva.

Dos 99 jatos executivos entregues no ano passado, 22 são grandes, da família Legacy e Lineage. Os outros 77 são jatos leves. Em 2011, foram entregues 16 jatos grandes e 83 leves. “Em uma crise mundial severa, a Embraer conseguiu se manter estável porque procurou diversificar, indo para outros países como a China. O mercado da Embraer não é só o Brasil, e sim o mundo”, afirmou Marcos José Barbieri Ferreira, pesquisador da indústria aeronáutica e defesa e professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

De acordo com a empresa, o jato com o maior número de entregas entre todos os fabricados hoje (451) foi o Embraer 190. Sendo que 50 foram para Hainan, na China, e JetBlue, nos Estados Unidos. Hoje, a aviação comercial é responsável por 67% da receita global da Embraer. defesa e segurança tem 18% de participação e aviação executiva segue em terceiro lugar, com 14% da receita.

O Vale

Publicado em: 15/01/2013

Venda de grande aquisição feita pela Avibras na cidade

A Avibras Aeroespacial fechou contrato de US$ 350 milhões para vender 36 plataformas de lançamentos múltiplos de mísseis Astros 2 para a Indonésia, conforme informou ontem a publicação especializada ‘Janes Defence Weekly’.

Segundo a publicação, a operação comercial entre o Ministério da Defesa da Indonésia e a Avibras foi fechada durante a feira internacional de materiais militares Indo Defence, realizada nesta semana em Jacarta. O acordo contempla ainda 36 veículos para o transporte das plataformas de lançamento, controle de disparo, manutenção e treinamento para a utilização das armas.

Trata-se do segundo grande contrato que a Avibras fecha com compradores no exterior desde 2008, quando firmou uma venda de 18 sistemas Astros para a Malásia, por R$ 500 milhões. A encomenda foi entregue até o começo de 2010. Além do contrato de venda para a Indonésia, a Avibras assinou com o país um memorando de entendimento para a troca de tecnologia e de fortalecimento da cooperação na área de defesa.

Na avaliação do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, a Avibras terá que contratar funcionários para dar conta deste novo contrato. Em recuperação pela crise que quase provocou a sua falência e tendo passado por um processo de recuperação judicial entre 2008 e 2011, a Avibras perdeu mais de 1.000 trabalhadores desde os anos 1980, quando viveu a sua primeira crise.

Reduziu o número de operários a 900, em dezembro de 2011, mas começou a recuperar postos neste ano, após a liberação de contratos do governo federal. Hoje, são 1.400 trabalhadores.  A presidente Dilma Rousseff (PT) autorizou o pagamento de recursos na ordem de R$ 209 milhões para a Avibras desde agosto do ano passado R$ 45 milhões naquele mês e mais R$ 164 milhões em outubro.

O dinheiro faz parte do pacote de socorro à fabricante de materiais bélicos por meio do programa Astros 2020, orçado em R$ 1,2 bilhão e tido como a ‘salvação’ da Avibras. O programa irá equipar o Exército Brasileiro. O equipamento é uma evolução do conjunto lançador de foguetes livres Astros 2, o maior sucesso de vendas da empresa. Procurado ontem pelo O VALE, o presidente da Avibras, Sami Hassuani, não foi localizado para comentar o contrato com a Indonésia.

Com a venda de produtos em baixa e em crise institucional, a Avibras Aeroespacial requereu, em julho de 2008, o regime de recuperação judicial. A Avibras aposta no desenvolvimento do programa Astros 2020, que equipará o Exército Brasileiro, como a ‘salvação’ completa da empresa. O orçamento é de R$ 1,2 bilhão.

Após iniciar o processo de recuperação judicial, a empresa fechou dois grandes contratos internacionais. Com o governo da Malásia, em 2008, a Avibras fechou a venda de 18 sistemas Astros por R$ 500 milhões. Os equipamentos foram entregues até 2010.

A empresa fechou nesta semana um contrato de US$ 350 milhões com o governo da Indonésia para desenvolver 36 plataformas de lançamentos múltiplos de mísseis Astros 2, além de troca de tecnologia e cooperação na área da defesa. O Sindicato dos Metalúrgicos aposta nos contratos com o exterior para retomar a contratação de funcionários. Na avaliação da entidade, a empresa terá que passar dos atuais 1.400 trabalhadores para algo em torno de 2.000 empregados para dar conta dos programas.

O Vale

Publicado em: 14/11/2012

Demissões na GM pode causar danos no mercado

Qual o impacto econômico que será gerado na região caso 1.606 trabalhadores da General Motors sejam demitidos? A resposta divide opiniões. De um lado, empresários e comerciantes. De outro, os metalúrgicos. O Sindicato dos Metalúr- gicos de São José afirma que caso ocorram as demissões na GM, outros 12 mil postos de trabalho serão fechados indiretamente.

O cálculo foi feito baseado no Modelo de Geração de Empregos do BNDES. Segundo o estudo, para cada emprego perdido no setor automotivo, sete deixam de existir indiretamente. “Será um grande desastre para a região caso as demissões ocorram. As indústrias não tem como absorver toda essa mão de obra. Muita gente vai perder o emprego junto”, disse o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José, Antonio Ferreira de Barros, o ‘Macapá’.

O presidente da ACI (Associação Comercial e Industrial) de São José dos Campos, Felipe Cury, disse que o impacto econômico não será perceptível. “O que está para acontecer, não vai refletir no comércio. A cidade tem capacidade para absorver todos e o próximo ano é muito próspero”, afirmou.

O diretor regional da Fiesp (Federação das Industrias do Estado de São Paulo) de São José, Almir Fernandes, compartilha da opinião. “O impacto na economia é muito pouco. Não acredito que possa alterar algo”, afirmou Fernandes.

Os empresários citaram a remuneração extra como fator para manter a economia aquecida citados os abonos, PDV (Programa de Demissão Voluntária) e PLR (participação nos lucros e resultados). O economista Luiz Carlos Laureano da Rosa disse que o impacto econômico não será tão expressivo como foi no começo da década passada.

Ele lembra que quando a Embraer demitiu em massa na década de 1990, muitas indústrias e comércios fecharam. Mas que em 2009, quando a fabricante de aviões demitiu cerca de 4.000 de funcionários a cidade respondeu de maneira positiva.

“A demissão não tem nada de positivo. Impacto tem, mas caso ocorra na GM, não será perceptível. O comércio e prestadores de serviços não vão precisar fechar as portas”, afirmou Laureano. Outro economista, Roberto Koga, alerta para os rumores das demissões. “A expectativa de uma demissão em massa gera uma retração antecipada na cadeia produtiva. Os trabalhadores freiam o consumo.”

O impasse começou em julho quando a montadora deixou de produzir três veículos e, com isso, definiu que precisaria demitir 1.840 trabalhadores. Desse total, 234 já foram demitidos por meio do PDV. Resta achar um destino para os 1.606 restantes. Na última quinta-feira, sindicato e GM fecharam um acordo que estende o prazo para a demissão dos ‘excedentes’ e da desativação da linha de produção MVA. O prazo passou de 30 de novembro para 26 de janeiro.

O Vale

Publicado em: 15/10/2012

Impasse sobre o Destino da GM continua na cidade

O futuro dos 1.606 trabalhadores considerados excedentes da General Motors de São José foi adiado. Na reunião realizada ontem, a montadora pediu mais tempo para analisar as propostas da categoria. A próxima rodada de negociação ficou agendada para quinta, às 9h, na montadora. A reunião será a última e decisiva. Após o término do encontro, os funcionários vão saber se serão ou não demitidos.

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São José, a empresa mantém a posição de demitir os trabalhadores e não acatou as propostas feita pela categoria. A GM não comenta o assunto. Mesmo com os indícios de demissão em massa, o presidente do Sindicato do Metalúrgicos de São José, Antonio Ferreira de Barros, o ‘Macapá’, acredita que é possível manter os funcionários.

“Eu não só acredito como estou batalhando para isso. Não há justificativa para a empresa demitir funcionários para importar”, disse. Os metalúrgicos da GM cobram da empresa mais investimentos na planta de São José. Eles querem que a manutenção da produção do Classic, a fabricação de novos carros e caminhões e o fim da importação de veículos.

Eles também querem que o governo federal proíba a demissão em empresas que importam e que o lucro obtido no Brasil seja investido no país. No próximo dia 16, os trabalhadores da GM vão a Brasília para uma audiência pública no Senado. Caso a posição de demitir os funcionários se confirme, o sindicato promete realizar manifestações.

Nas últimas negociações, a montadora apresentou um pacote com 17 propostas. Elas foram rejeitadas por não garantir os empregos. As negociações começaram em julho quando a empresa apresentou a intenção de demitir 1.840, considerados excedentes. Eles pertencem à linha de produção do Classic, que será desativada.

Após protestos e reuniões, ficou acordado que a montadora suspenderia até 30 de novembro as demissões e que 925 entrariam em layoff contrato de trabalho suspenso. Desde agosto, a empresa já demitiu234 trabalhadores pelo sistema de PDV (Programa de Demissão Voluntária).

O PDV só termina no dia 30 de novembro, junto com o layoff. Com as adesões, restam 1.606 trabalhadores considerados excedentes. “Vai ser um desastre se essas pessoas forem demitidas. As indústrias da região não tem como absorver todos”, disse Macapá.

O Vale

Publicado em: 09/10/2012

Fabrica da GM ainda pede tempo para analisar demissões

A General Motors adiou para segunda-feira, às 9h, a negociação sobre o futuro de 1.840 trabalhadores da montadora em São José. A reunião, que estava marcada para hoje com o Sindicato dos Metalúrgicos, é decisiva para o futuro dos operários da linha de produção MVA, responsável pela fabricação do Classic.

Segundo o sindicato, o adiamento foi em comum acordo e motivado por problemas na agenda. O novo encontro será na GM em São José. O sindicato entregou à GM uma pauta de reivindicações pedindo a permanência dos metalúrgicos na planta de São José. Entre as propostas, está a manutenção dos empregos e da fabricação do Classic, remanejamento de pessoal e investimentos na fábrica.

“É possível a GM atender às nossas reivindicações. O que não pode é a montadora mandar os trabalhadores embora para querer importar”, disse o secretário-geral do sindicato, Luiz Carlos Prates, o ‘Mancha’. Ainda segundo o sindicato, a GM mantém a ideia de demitir os trabalhadores. Nas últimas negociações, a montadora apresentou um pacote com 17 propostas. Elas foram rejeitadas por não garantir a permanência dos trabalhadores.

No momento, 925 funcionárips estão em layoff (contrato de trabalho suspenso). A garantia do emprego vai até 30 de novembro. Caso empresa e funcionários não cheguem a um acordo, novos protestos devem ser realizados. A empresa não comentou o assunto.

O Vale

Publicado em: 04/10/2012

Nova fabrica na cidade gera mais de 300 empregos

A fábrica de sorvetes Rochinha, que será inaugurada na próxima sexta-feira em São José, vai gerar cerca de 350 empregos diretos e indiretos na região. A empresa já contratou 35 profissionais e está selecionando outros 25 para trabalhar na nova unidade. A meta é reforçar o quadro de funcionários até abril de 2013.

Segundo a direção da empresa, a nova unidade de São José deve gerar outros 200 empregos indiretos no Vale, para venda e distribuição. A seleção de candidatos aos postos de trabalho acontecerá pelo site www.sorvetesrochinha.com.br.

“Serão cerca de 300 empregos, entre diretos e indiretos. Já contratamos 35 para as áreas de produção e escritório. Vamos expandir o número de funcionários entre os meses de setembro deste ano e abril do ano que vem. Os selecionados irão passar por um período de treinamento”, disse o gerente administrativo Miler Augusto Martins dos Santos.

A Sorvetes Rochinha, instalada no Condomínio Eldorado, zona sul da cidade, será a maior unidade da empresa, que já tem centros de distribuição em todo o litoral de São Paulo. A sede, que era em São Sebastião, passa a ser em São José.

A opção por São José, segundo o dono da empresa, José Lopes, acontece por uma questão estratégica. “A cidade fica às margens de uma das principais rodovias do país, o que facilitará o acesso à capital e ao interior de São Paulo, ao litoral Norte e ao Rio de Janeiro.”

O Vale

Sindicato junto a GM decidirá o futuro da fábrica na cidade

A General Motors e o Sindicato dos Metalúrgicos iniciam amanhã nova rodada de negociações sobre o futuro da fábrica de São José dos Campos, como parte do acordo firmado no dia 4 de agosto, que evitou, temporariamente, a demissão de 1.840 funcionários considerados excedentes pela montadora.  Pelo acordo, 940 empregados vão ter o contrato de trabalho suspenso, medida denominada de ‘layoff’, a partir da próxima segunda-feira, até 30 de novembro.

Outros 900 funcionários permanecem na linha MVA, na produção do Classic, único modelo que ainda é produzidos no setor, após Corsa, Meriva e Zafira terem sua fabricação suspensa. A GM planeja desativar a linha após 30 de novembro.  A retomada das conversações sobre o destino dos excedentes e de um novo acordo entre GM e sindicato para novos investimentos na fábrica local está agendada para as 15h, em São José dos Campos.

Até ontem, no entanto, o local ainda não havia sido definido, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos. A GM condicionou analisar possíveis novos investimentos na planta de São José a flexibilizações trabalhistas na planta. Entre as propostas da montadora estão criação de banco de horas, implantação de nova grade salarial e redução salarial.

Por ser a primeira reunião, a direção do sindicato avalia que o encontro será para definição de uma agenda de negociações, uma vez que, pelo acordo de 4 de agosto, as partes vão conversar durante 60 dias. “Acredito que primeiro vamos tratar das questões relacionadas ao ‘layoff’ e da definição de um calendário de conversações”, disse o secretário-geral do sindicato, Luiz Carlos Prates, o Mancha.

Segundo ele, as posições do sindicato não mudaram. “Nós mantemos as propostas que já apresentamos”, disse. O sindicato reivindica da montadora que concentre em São José a produção do Classic, o Sonic (produzido na Coreia do Sul) e volte a fabricar caminhões no Brasil. A montadora já descartou todas.

O diretor regional do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), em São José, Almir Fernandes, disse que a expectativa é que GM e sindicato cheguem a um acordo que garanta investimentos para a planta de São José. “O sindicato precisa negociar com base na realidade”, disse.

A GM já comunicou, por carta, os funcionários que irão para o sistema ‘layoff’. A previsão é que a maioria dos 940 trabalhadores que estava em férias coletivas até ontem terá o contrato de trabalho suspenso. Segundo o sindicato, a empresa também selecionou empregados de outros setores. De hoje até sexta-feira, os funcionários selecionados para o ‘layoff’ estarão de licença remunerada. Sexta-feira, o sindicato vai reunir o grupo.

O Vale

Encontro de representantes decide o futuro da GM

Representantes da General Motors recebem hoje, às 9h, a direção do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos para tratar da situação do complexo fabril da montadora na cidade. Para enxugar a produção da fábrica e ajusta-la à demanda de mercado, a GM abriu no início do mês um PDV (Programa de Demissão Voluntária), além de cortar um dos turnos da linha conhecida como MVA, que produz os veículos Corsa, Meriva e Zafira.

Após o encontro de hoje, os metalúrgicos poderão confirmar a possibilidade de fechamento total do MVA, uma vez que os veículos produzidos na linha estão saindo de mercado e seus substitutos vêm sendo produzidos em outras unidades da GM.

O presidente do sindicato, Antonio Ferreira Barros, o Macapá, admite o risco da extinção da linha, que resultaria na demissão de cerca de 1.500 pessoas. “Se a empresa continuar com essa postura, haverá uma demissão em massa. A GM tem feito pressão violenta em todos os setores para que os trabalhadores entrem no PDV”, disse Macapá.

Até o último dia 15, o balanço de adesão ao PDV era de 186 pessoas. O VALE apurou que supervisores de alguns setores da fábrica já foram comunicados sobre o encerramento do MVA, que poderia acontecer a partir de agosto. As concessionárias já receberam a linha ‘Collection’ das minivans Meriva e Zafira, que marca o fim da produção dos veículos, a exemplo do que aconteceu com o Vectra ‘Collection’ em 2011.

Para reverter o quadro da fábrica, o sindicato busca apoio da sociedade e do poder público. Na visão dos metalúrgicos, a GM não poderia efetuar demissões no momento em que foi agraciada com um pacote de benefícios para fomentar a indústria automotiva.

A manutenção dos postos de trabalho dos beneficiados seria, inclusive, contrapartida para a divulgação do pacote. Por outro lado, a GM afirma não desrespeitar o acordo feito com o governo, que preveria períodos de sazonalidade dos postos de emprego.

Quando o PDV foi implantado em São José, o diretor de assuntos institucionais da GM, Luiz Moan, afirmou que pelo acordo feito com o governo, as montadoras deveriam ter, no mínimo, o mesmo número de trabalhadores num período de um ano e meio.

O acordo também não diferenciaria as unidades da montadora no país. Desta forma, se cinco pessoas fossem demitiras em São José e cinco fossem contratadas em Gravataí (RS), onde a GM tem outra unidade, não haveria irregularidade. Além do MVA, o complexo da GM em São José produz motores e transmissores, e também abriga a linha de produção da picape S10, que opera em três turnos. Ao todo, a fábrica emprega cerca de 7.500 pessoas.

O Vale

Fabrica desativa modelos e coloca em risco Vagas

A General Motors planeja suspender até julho a produção de três modelos fabricados em São José Corsa, Meriva e Zafira. A medida ameaça o emprego de quase 1.500 trabalhadores que atuam no MVA (Montagem de Veículos Automotores).

Como os substitutos destes modelos serão produzidos em outras plantas da GM no país, o MVA (setor que mais emprega em São José com dois turnos e 3.000 trabalhadores) ficaria responsável apenas pela fabricação do Classic, que também é feito em São Caetano do Sul e em Rosário, na Argentina.

Para ajustar a produção à futura demanda, um turno do MVA deve ser extinto. Restaria a São José, além do Classic, a fabricação da picape S10, de motores e transmissões, além de CKDs (veículos desmontados para exportação). A planta, que já empregou 12 mil na década de 90, hoje tem pouco mais de 8.000 funcionários.

O prefeito Eduardo Cury (PSDB) admite o risco de demissões e afirmou que estuda alternativas ao problema. A GM passa por um processo de reestruturação de produção no país, tema que já teria sido abordado com funcionários em reuniões internas. O sindicato da categoria diz não ter sido comunicado da mudança, mas garantiu que luta para que novos investimentos sejam feitos em São José.

“Em maio, temos a discussão sobre a PLR (Participação nos Lucros ou Resultados) e nela a GM tem que apresentar a previsão de metas de produção. Se houver paralisação da fabricação desses veículos, vamos querer que São José concentre a produção do Classic”, disse o presidente eleito do sindicato Antonio Ferreira Barros, o Macapá, que toma posse no final de maio.

O metalúrgico não acredita na extinção de um dos turnos do MVA e garante que, se toda a produção do Classic ficar em São José, o total de empregados no setor não seria suficiente para dar conta da demanda, de cerca de 140 mil carros por ano.

O diretor do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), Almir Fernandes, diz temer que a fábrica fique ociosa até um novo projeto ser implantado na cidade. “Se em 2008 os projetos que a GM apresentou tivessem sido aprovados, essas mudanças na fábrica já teriam sido feitas. Um projeto demora para ser implantado e esse período não se recupera mais. Se o trabalhador não tem o que fazer na fábrica, todos sabem o que irá acontecer”, disse.

Macapá se defende e alega que a GM não apresentou projetos ao sindicato em 2008. “O único projeto apresentado foi aprovado, que foi o da S10. O sindicato tem total interesse em discutir a situação da fábrica, mas não tivemos resposta do pedido de reunião com a GM”, disse o sindicalista.

Se na unidade de São José há demissões quase que diárias, a situação na planta do ABC é outra. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano, Aparecido Inácio da Silva, disse que a fábrica vem admitindo para atender à demanda dos novos projetos. “Desde 2011, cerca de 1.700 pessoas foram contratadas e, em março (de 2011), tivemos a abertura do terceiro turno”, disse.

Silva destaca que teve que buscar investimentos que inicialmente foram oferecidos a São José. “Não houve acordo com São José e essa produção iria para fora do país. Consegui trazer esses projetos depois de reuniões com a empresa.”

As minivans Zafira e Meriva chegaram a São José em 2001 e 2002, respectivamente. O projeto PM7, que desenvolveu o veículo substituto dos modelos, chamado de Spin, tem previsão de ter a produção iniciada no ABC até agosto. A direção da GM foi procurada ontem, mas não comentou o assunto.

O Vale