Novaer Craft deixa a cidade e parte para Santa Catarina

A Novaer Craft, que integra a cadeia produtiva da Embraer, vai deixar São José para fazer aviões em Santa Catarina, onde devem ser gerados 1.900 empregos diretos e indiretos. O investimento será de R$ 80 milhões em uma fábrica em Lages, na área serrana, e um centro de desenvolvimento de projetos na capital, Florianópolis.

A meta será produzir o T-Xc, avião pequeno que terá duas versões transporte civil com quatro lugares e outra militar, de dois lugares, para treinamento de pilotos. Segundo o presidente da Novaer, Graciliano Campos, os primeiros aviões sairão da linha de produção no início de 2015. Até lá, a empresa deixará São José.

“O compromisso com o governo catarinense é de levar todo o desenvolvimento para lá”, disse Campos, que espera gerar 400 empregos diretos e 1.500 indiretos para fabricar 120 aviões por ano. Sediada no Parque Tecnológico da Univap, a Novaer emprega 100 pessoas na cidade, que trabalham com desenvolvimento de projetos aeronáuticos, entre eles a fabricação de peças para o trem de pouso do Tucano, avião de treinamento da Embraer.

A saída da Novaer revela uma ‘guerra’ entre cidades e Estados para atrair investimentos nas áreas aeroespacial e de defesa, cujo principal polo do país está em São José. Em outubro do ano passado, São Bernardo do Campo anunciou a criação de um polo no setor, que receberá US$ 150 milhões para sediar uma fábrica de estruturas aeronáuticas criada a partir de parceria entre o grupo sueco Saab e a Akaer, de São José.

Na manhã de ontem, o governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo (PSD), e o presidente da Novaer assinaram um protocolo de intenções para formalizar a parceria. Também participou o ministro de Ciência e Tecnologia, Marco Antônio Raupp.

O acordo prevê que a empresa estatal SC Participações e Parcerias seja sócia do empreendimento, com aporte de R$ 15 milhões. “A ideia é que a instalação da empresa seja uma espécie de âncora para o início de um polo tecnológico aeroespacial em Santa Catarina”, afirmou Paulo César da Costa, secretário estadual de Assuntos Estratégicos.

Segundo Campos, a fábrica da Novaer será construída em Santa Catarina porque o governo estadual “deu apoio e todas as condições para a fabricação do avião”. Entre as vantagens, está o uso de dois aeroportos para voos de teste. “Vamos aliar a capacidade produtiva da serra com a inovação de Florianópolis e de seu capital humano no desenvolvimento de projetos e de tecnologia de ponta”, disse Colombo.

Para o vice-diretor do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), em São José, Ney Pasqualini, que também é empresário do setor aeronáutico, a saída da Novaer revela as dificuldades que as empresas do setor enfrentam em São José, considerada o principal polo aeroespacial do país. “Vão desde a falta de incentivos até a atuação sindical. É uma tendência buscar vantagens fora daqui.” Um dos entraves à instalação de novas empresas do setor na cidade é a falta de pista de testes. A prefeitura, por meio do Cecompi, minimizou o impacto da saída da empresa.

‘Setor se mantém forte’, diz Cecompi Gerente executivo do Cecompi (Centro para Competitividade e Inovação do Cone Leste Paulista), Agliberto Chagas disse que a saída da Novaer Craft de São José não é preocupante. Para ele, o setor aeroespacial na cidade, que reúne 120 empresas, continuará forte e em expansão. “Temos uma estrutura muito boa e vamos melhorar”, afirmou Chagas.

O Vale

Mundo das Miniaturas atraem Fãs por coleções na cidade

Eles constroem sonhos em miniatura. Alçam voo, mergulham nas profundezas do mar e vão às estrelas com seus modelos do real. Fazem principalmente do plástico a ferramenta com que dão vida à criatividade. Como construtores do mundo de Gulliver, os plastimodelistas fazem pequeno para sonhar grande. Montar aviões, carros, navios, tanques e até espaçonaves em escala reduzida é o terceiro hobby com mais praticantes no mundo. Só perde para o aeromodelismo (miniaturas que voam) e o ferreomodelismo (trens).

Não se sabe quantas pessoas na região se dedicam à atividade, mas 53 delas são associadas à IPMS-São José, que é filiada à International Plastic Modelers Society, entidade internacional que congrega modelistas do mundo todo. No Vale, eles se reúnem no último domingo de cada mês no MAB (Memorial Aeroespacial Brasileiro), em São José, para trocar experiências, peças e contar as novidades. Ainda organizam uma exposição competitiva em abril.

Ao lado de suas criações, gente como o desenhista e empresário Lauro Ney Batista, 50 anos, volta a ser criança por alguns instantes, embora construir modelos não seja brincadeira para eles. “Nenhuma outra atividade estimula o conhecimento em tantas áreas do conhecimento humano”, diz.

Batista, que já teve 100 aeronaves em casa, se dedica agora a construir aviões da 2ª Guerra Mundial, uma das épocas históricas preferidas dos modelistas. “Usamos kits prontos ou criamos as peças observando o modelo real”, conta ele. Com 419 miniaturas em casa, sendo que 296 esperam para ser montadas, o engenheiro mecânico Ney Ferreira, 50 anos, é apaixonado por veículos militares, como tanques, caminhões e embarcações.

Também tem uma queda por dioramas, que são os cenários criados em escala reduzida. Um deles, uma cena do filme “Band of Brothers”, ele demorou dois anos para montar e vendeu para um insistente médico numa feira em Santos. “Ele ofereceu R$ 5.000 e não pude recusar”, afirma.

Mas vender modelos não é característica dos colecionadores. Eles não se importam em ganhar dinheiro com o hobby. Pelo contrário. Gastam milhares de reais se a peça for rara o suficiente para merecer o investimento. “Trouxe três malas gigantes com mais de 100 kits dos Estados Unidos em 2011. Fui em uma competição internacional e comprei muito. O preço estava bom lá, mas a Receita Federal não perdoou aqui. Paguei mais de R$ 1.000 em imposto”, conta o advogado Sérgio Gonçalves, 43 anos, de Taubaté.

Outra “loucura” fez o advogado e piloto Laércio Tavares, 51 anos, modelista desde a infância. Ele foi de ônibus ao Paraguai para comprar cinco modelos e um aerógrafo. Mas quem tem literalmente a cabeça nas “nuvens” é o engenheiro Glauco Novaes, 44 anos, de Jacareí, apaixonado por ficção científica. O vilão Darth Vader e a nave de Luke Skywalker estão entre seus modelos preferidos. “Montar é quase uma terapia”, diz.

O Vale

Em meio a Eleição, Carlinhos segue liderando na cidade

Dez dias após o início do horário eleitoral na televisão, o candidato do PT, Carlinhos Almeida, lidera a corrida pela Prefeitura de São José dos Campos com 48,3% das intenções de voto, segundo pesquisa O VALE/Mind. O postulante do PSDB, Alexandre Blanco, está em segundo lugar, com 25,3% da preferência do eleitorado.

Pela margem de erro do levantamento, que é de quatro pontos percentuais, para mais ou para menos, os outros cinco candidatos ao Paço Municipal estão em situação de empate técnico. O postulante do PV, Cristiano Pinto Ferreira, alcançou 3%, e Ernesto Gradella (PSTU) obteve 1%.

Os candidatos do PSB, Antonio Alwan, e do PSDC, Fabrício Correia, registraram 0,8% cada um das intenções de voto dos entrevistados. Gilberto Silvério (PSOL) foi citado por 0,2%. A pesquisa apurou que 12,2% dos entrevistados disseram que estão indecisos ou não responderam.

Outros 8,3% dos pesquisados afirmaram que votam em branco ou nulo. Neste cenário, se a eleição fosse hoje, o candidato do PT venceria a disputa no primeiro turno. Carlinhos teria 60,8% dos votos válidos, ante 31,8% de Blanco. A sondagem ouviu 600 pessoas entre os dias 29 e 30 de agosto e foi registrada na Justiça Eleitoral, com o protocolo 00627/2012.

A pesquisa O VALE/Mind revela que o tucano Alexandre Blanco é o nome mais rejeitado entre os sete concorrentes à prefeitura, com 20,7%. A seguir aparece Carlinhos Almeida, com 17,3%, Gradella, com 17,2%, Cristiano, com 17%, Gilberto Silvério, com 11,7%, Fabrício, com 9,7%, e Alwan, com 9,5%, segundo a sondagem. O levantamento mostra que 34% dos entrevistados não rejeitam os candidatos e outros 5,8% rejeitam todos. Foi avaliado também cenário para eventual segundo turno.

O Vale

Disputa Eleitoral destrincha guerra no setor da Saúde

A campanha pela Prefeitura de São José dos Campos contrapõe dois modelos de gestão para a área de saúde. De um lado, o candidato da situação, Alexandre Blanco (PSDB), defende a continuidade das terceirizações na administração dos hospitais Municipal e de Clínicas Norte.

O Hospital Municipal é comandado pela SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Saúde) desde 2006 e o atual contrato tem vigência até 2015. Já a gestão do Hospital de Clínicas Norte foi assumida pela Organização em Saúde Próvisão em abril último para contrato de um ano.

“A parceria com Organizações Sociais é uma forma moderna de gestão da saúde. Ela permite maior controle e agilidade na compra, na contratação de serviços e na administração de recursos humanos. Costuma ser mais eficiente do que a gestão direta”, afirmou o político tucano.

Do outro lado, o candidato do PT, Carlinhos Almeida, sustenta que cumprirá os contratos com as OSs (Organizações Sociais), mas promete cobrar mais transparência e melhores resultados. Para diminuir a espera por consultas e exames, o petista pretende também ampliar as parcerias com hospitais e entidades filantrópicas, como a Santa Casa de Misericórdia e os hospitais Antoninho da Rocha Marmo e Pio 12.

“Vou cumprir os contratos com a SPDM e o Próvisão, mas vou cobrar com rigor o cumprimento das metas e dos itens dos contratos. Também vou ampliar as parcerias com os hospitais particulares e com as entidades filantrópicas para podermos resolver os gargalos de consultas, exames e cirurgias”, disse Carlinhos.

Também disputam o governo Antonio Alwan (PSB), Cristiano Pinto Ferreira (PV), Fabrício Correia (PSDC), Ernesto Gradella (PSTU) e Gilberto Silvério (PSOL).  A saúde tem sido o principal mote das campanhas pela Prefeitura de São José desde 2004.

Mesmo com orçamento para este ano de R$ 452,5 milhões, o setor é o que recebe mais críticas da população, principalmente em relação à demora para realização de consultas e exames. Para o secretário-executivo do Conasems (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde), José Ênio Servilha Duarte, os modelos defendidos por Carlinhos e Blanco são semelhantes e para ter sucesso dependerão de um controle mais efetivo da prefeitura sobre a prestação dos serviços.

“Não há grandes diferenças. Independentemente se há ou não terceirização, o prefeito não pode abrir mão de ter o controle da saúde, tem que ter a palavra final e tem que cobrar com rigor o cumprimento dos itens dos contratos.”

O Vale

Região Central da cidade é Trânsito sem regras

A restrição ao tráfego de caminhões em algumas ruas e avenidas da região central de São José dos Campos parece não intimidar quem está ao volante das carretas. Pelo menos foi o que apurou O VALE ao conversar durante esta semana com comerciantes e moradores locais, após o acidente do último dia 23 de agosto.

Na ocasião, a comerciante Cíntia Aiko Kmagai, de 47 anos, foi morta depois de ser atingida por um golpe de cabo da rede telefônica, arrebentado por uma carreta na rua Vilaça, no centro. O caminhão circulava em alta velocidade numa área proibida para esse tipo de veículo. A Polícia Civil segue atrás do motorista. A família da vítima, pede justiça.

“Esta foi quarta ou quinta vez que um caminhão arrebenta os cabos”. A frase é de Ciro Guimarães, 29 anos, dono de um estacionamento na rua Vilaça local inserido no chamado perímetro urbano de São José. A área é formada por seis vias onde caminhões, exceto modelos ‘baú’, não podem trafegar, na região central. Essa espécie de ‘cordão’ invisível só pode ser transposto fora dos horários de pico no trânsito.

Caminhões com altura acima de 4,4 metros são proibidos de circular em toda a cidade e em qualquer horário, exceto com autorização especial requerida com antecedência. O problema é que apenas seis agentes de trânsito da prefeitura são responsáveis por fiscalizar, não somente o perímetro urbano, como as demais vias do trânsito central.

“Vamos aumentar o número de agentes”, afirmou o diretor de Trânsito da Secretaria de Transportes, Paulo Guimarães. Por enquanto, segundo ele, os ‘marronzinhos’ foram orientados a fiscalizar com mais rigor os caminhoneiros.

Guimarães listou algumas medidas estudadas pela Secretaria a fim de intensificar a fiscalização no perímetro: adaptar os radares fixos para flagrar as carretas irregulares e monitorar as vias que dão acesso ao perímetro de restrição, são exemplos. “Os agentes também deverão abordar os caminhões que circulam em horários e locais proibidos. Hoje, eles somente anotam a placa da carreta”, disse o diretor de Trânsito.

O Vale

Parque Banhado é retomado só ano que vem na cidade

A Prefeitura de São José informou que o projeto do Parque do Banhado só será retomado em 2013. Apesar de já estar disponibilizada toda a verba de R$ 9,12 milhões dada pela Petrobras como contrapartida pela ampliação da Revap (Refinaria Henrique Lage), o processo de construção do parque esbarra nos moradores do Jardim Nova Esperança.

“A lei aprovada em junho, que transforma o Banhado em Unidade de Proteção Integral, exige que todas as famílias que moram no local sejam retiradas”, afirmou André Miragaia, secretário do Meio Ambiente. “No entanto, não podemos removê-las sem um planejamento. É um processo demorado e complexo que envolve os programas habitacionais da prefeitura”, disse.

De acordo com a Secretaria de Habitação, em 2008 foram cadastradas 399 famílias morando na região. Desde total, 118 foram transferidas de maneira voluntária para os conjuntos habitacionais Frei Galvão, Boa Vista, Santa Luzia e Interlagos.

Davi Moraes, 60 anos, um dos líderes de bairro e morador do Banhado há 50 anos, nem imagina como será essa retirada. “Aqui tenho um bar, que é o meu sustento. Não sei do que vou viver se eu sair daqui”, afirmou. “Não queremos que nos mudem para longe do centro, nem em apartamentos. Além disso, não é justo que a gente pague pela casa que vamos morar”.

Benedito Evangelista dos Santos, 46 anos, agricultor, não se importa de mudar de casa, desde que ele consiga uma nova terra onde possa plantar. “Estou aqui há 20 anos. Quando cheguei, era mata fechada. Eu que iniciei a plantação. Hoje, forneço todo tipo de verdura para o Mercado Municipal”, afirmou.

De acordo com Miragaia, os moradores que tiverem a escritura dos seus imóveis receberão indenização, já os que invadiram a área pública serão inseridos em programa habitacionais. “De acordo com o nosso levantamento, estamos reservando cerca de R$ 9 milhões para a aquisição da área”, disse

A Prefeitura esclareceu em nota que, até o final de 2012, não haverá a transferência de nenhuma família remanescente do Banhado. Elas farão parte de um plano de reassentamento, que esta sendo elaborado para 2013. E este plano será apresentado e discutido em reuniões abertas.

O adiamento da retirada das famílias coincidiu com o planejamento das etapas que a Prefeitura ainda terá de cumprir antes da construção do parque, como a criação do conselho gestor, que ajudará a determinar as diretrizes para o plano de manejo.

O Vale

Revisão na nova Lei de Zoneamento é exigida na cidade

As restrições impostas para a abertura de templos religiosos são o novo foco de ataque à Lei de Zoneamento em São José dos Campos. Em debate hoje com os candidatos a prefeito, representantes de cinco denominações evangélicas querem o compromisso dos prefeituráveis com a criação de uma regra mais flexível para a instalação de igrejas, que hoje recebem o mesmo tratamento de estabelecimentos comerciais.

“É preciso uma flexibi-lização maior das regras, porque está muito difícil abrir igrejas”, disse o pastor sênior da PIB (Primeira Igreja Batista), Carlito Paes. “As igrejas são englobadas na categoria de estabelecimentos comerciais. A sociedade tem cobrado uma discussão maior já que, quando a lei foi criada, não houve esse amplo debate”. A estimativa é que São José possua hoje cerca de 600 templos religiosos.

Presente nos bairros, a instalação de igrejas foi alvo de mudanças na nova lei de zoneamento. A lei anterior liberava a construção de templos em toda a cidade. A atual classifica os templos na mesma categoria dos estabelecimentos de uso comercial e restringe a construção em área restritamente residenciais. Templos com mais de 150 metros de área construída passam por estudo de localização, devem ampliar recuos laterais e, em alguns casos, instalar proteção acústica.

Para vizinhos de templos, igrejas são focos de barulho e devem ser excluídos das zonas residenciais. “Os hinos são bonitos, mas o barulho do microfone e dos gritos é muito alto e constante. Meu quarto fica colado da igreja e não consigo nem conversar em casa”, disse a comerciante Vera Vanin, 57 anos, moradora do Altos do Bosque.

Os candidatos do PT, Carlinhos Almeida, e do PSDB, Alexandre Blanco, que polarizam a disputa em São José, admitem rever as regras para a instalação dos templos desde que o pedido contemple “o desejo da sociedade”.

“Não será feita nenhuma alteração pontual na lei para beneficiar grupos específicos. As igrejas têm um papel importante, e o assunto pode ser discutido com a sociedade. Se a maioria concordar com alterações, não há problema em implementá-las”, disse o coordenador de campanha do PSDB, Anderson Ferreira.

O Vale

Em meio a corrida eleitoral, antigos candidatos somem

O que têm em comum a ex-secretária de Governo de São José Claude Mary de Moura (PSDB), a ex-prefeita Ângela Guadagnin (PT) e o empresário Apóstole Lázaro Chryssafidis, o ‘Lack’? Figuras centrais em diversas campanhas pelo Paço, neste ano eles são personagens ‘invisíveis’ da corrida sucessória.

Secretária de Governo até abril, quando se desincompatibilizou do cargo para disputar a indicação do PSDB para a prefeitura, Claude ‘sumiu’ depois de ser derrotada por Alexandre Blanco. Não voltou ao governo Eduardo Cury (PSDB) nem tem aparecido em eventos e atividades da coligação encabeçada por Blanco. Bem diferente de 2008, quando coordenou a campanha de Cury à reeleição.

Já Ângela, que governou São José de 1993 a 96 e atualmente é vereadora, tem sido ‘escondida’ pelo prefeiturável Carlinhos Almeida (PT), a exemplo do que já aconteceu nos pleitos de 2004 e 2008. Apontada pelos tucanos como tendo deixado uma ‘herança maldita’, Ângela que também foi a protagonista da ‘Dança da Pizza’ em 2006 defendendo petistas acusados de fazerem parte do mensalão não tem sido vista nas ruas ao lado de Carlinhos.

Embora negue, o candidato petista não quer associar sua imagem a uma prefeita que teve governo mal avaliado pela população. Mas o campeão em termos de rejeição é ‘Lack’, presidente da Abetar (Associação Brasileira das Empresas de Transporte Aéreo Regional). Investigado por supostas irregularidades no uso de verbas públicas federais, o empresário vive situação inusitada.

Ele ainda não foi visto em atividades da campanha de Blanco, apesar de seu partido, o PP, fazer parte da coligação tucana. Também não apareceu ao lado de Carlinhos, de quem foi o coordenador da campanha ao Paço em 2008. Claude e Ângela minimizaram os efeitos do ostracismo na corrida sucessória.

“A escolha do candidato a prefeito já é um fato superado. Não tenho participado de panfletagens devido a compromissos particulares, mas tenho ajudado o partido sempre que me pedem”, disse Claude. “Não tenho ido para as ruas com o Carlinhos porque estou fazendo minha campanha à reeleição na Câmara. Mas estamos juntos”, afirmou Ângela. Lack não foi localizado ontem para comentar o assunto.

Carlinhos negou ‘racha’ com Ângela. “A Ângela está cuidando da campanha dela, mas de vez em quando participamos de eventos juntos. Quanto ao Lack, ele fez parte da coordenação da minha campanha em 2008 porque era de um partido aliado. Agora, não é da coligação e portanto não tem motivos aparecer na minha campanha.”

Já o coordenador da campanha de Blanco, Anderson Faria, garantiu que Claude tem ajudado na campanha. “Ela tem colaborado bastante, como sempre fez. Quanto ao Lack, ele é amigo do Carlinhos e não nosso.”

O Vale

Ação contra Juizes é arquivada na cidade

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) arquivou na última segunda-feira (27) o processo com denúncias de irregularidades na atuação de cinco magistrados durante ação de reintegração de posse no Pinheirinho, ocorrida em 22 de janeiro deste ano, em São José dos Campos, no interior de São Paulo.

O processo foi protocolado em junho, seis meses após a desocupação, pelos advogados que representam os moradores do antigo acampamento sem-teto. A juiza Eliana Calmon, responsável pelo arquivamento do processo, afirmou em sua decisão que não compete ao CNJ analisar a legalidade da atuação dos magistrados. Um recurso para revisão da decisão será apresentado pela defesa nesta sexta-feira (31), prazo limite para recorrer. O processo segue em segredo de Justiça.

O documento – apresentado pelos advogados ao CNJ – apresentava uma série de irregularidades na atuação de cinco juízes no cumprimento da reintegração de posse. Entre as irregularidades apontadas estão a quebra do pacto federativo pelo desembargador do TJ de São Paulo, que desobedeceu a determinação de um juiz federal que impedia a desocupação na área e por não ter considerado a intenção das partes em regularizar a situação no local.

Durante a desocupação, cerca de 1.500 famílias foram desalojadas em uma ação da Polícia Militar para reintegração de posse da área que havia sido invadida há oito anos.  A área, na zona sul da cidade, pertence ao especulador Naji Nahas.

Explicações
Uma semana antes do arquivamento do processo, o CNJ havia solicitado que os magistrados envolvidos no caso, entre eles o desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo, Ivan Sartori, prestassem esclarecimentos sobre o caso.

O advogado Aristeu Pinto Neto, representante dos ex-moradores do Pinheirinho, questiona o curso do processo. “Ficamos surpresos com a decisão. A ministra havia determinado a manifestação dos juízes e, assim que eles receberam a intimação, foi promovido o arquivamento. Isso não é comum. Vamos entrar com recurso”, disse.

Além de Sartori, haviam sido intimados os juízes Luiz Bethoven Giffoni Ferreira, da 18ª Vara Cível de São José dos Campos, Rodrigo Capez, assessor da presidência do TJ-SP, o desembargador Cândido Allen, também do TJ-SP, e a juíza Márcia Loureiro, da 6ª Vara Cível de São José dos Campos. Márcia foi a juiza que decidiu pela reintegração de posse.

Segundo Neto, a defesa vai embasar o pedido de revisão do processo na jurisprudência. “Consideramos esse arquivamento prematuro. Estamos levantando casos semelhantes para mostrar que esta decisão precisa ser revista pelo plenário do CNJ”, afirmou o advogado.

CNJ
A assessoria de imprensa do CNJ foi procurada no começo da tarde desta quarta-feira (29) pelo G1 para comentar as críticas à decisão, mas não retornou até a manhã desta quinta-feira (30).

G1 (Vnews)

Dica do Procon é consumidor evitar Cheque Especial

O consumidor precisa estar atento na hora de captar empréstimo bancário, alertam especialistas da região. Embora os juros do cheque especial tenham registrado sua maior queda desde 2008, a taxa ainda é uma das mais altas do mercado, conforme avaliação do Banco Central. Segundo o BC, a taxa de juros do cheque especial caiu 16,1 pontos percentuais de junho para julho.

Ficou em 151% ao ano, a menor da série histórica do Banco Central desde março de 2008 (149,8% ao ano). Levantamento feito pelo Procon (Fundação de Proteção e de Defesa do Consumidor), de São Paulo, no dia 2 de agosto, detectou pequena redução na taxa de juros do cheque especial em alguns bancos.

O Bradesco alterou de 8,86% para 8,82% ao mês, o que significa um decréscimo de 0,04 ponto percentual, representando uma variação negativa de 0,45% em relação à taxa de julho. No HSBC, a alteração foi de 9,94% para 9,89% ao mês, o que significa um decréscimo de 0,05 ponto percentual, representando uma variação negativa de 0,50% em relação à taxa de julho.

O Itaú alterou de 8,85% para 8,81% ao mês, o que significa um decréscimo de 0,04 ponto percentual, representando uma variação negativa de 0,45% em relação à taxa de julho. No período avaliado, o Santander alterou de 9,95% para 9,91%, o que representa um decréscimo de 0,04 ponto percentual, uma variação negativa de 0,40% em relação à taxa de julho deste ano.

Na avaliação do Procon, as reduções feitas pelo governo da Selic (taxa básica de juros) continuam não sendo repassadas para as taxas de operações de crédito na mesma proporção. Anteontem, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) anunciou mais uma redução de 0,50 ponto percentual na taxa básica de juros da economia brasileira, que passou a ser de 7,5% ao ano.

“Em tese, a redução da Selic deveria refletir também nas taxas praticadas pelos bancos, mas não é isso que acontece na prática”, disse Luiz Carlos Laureano, economista do Nupes (Núcleo de Pesquisas Econômicas e Sociais), da Universidade de Taubaté.

Ele recomenda cautela ao consumidor. “A recomendação é evitar utilizar o cheque especial e o cartão de crédito para empréstimos, pois possuem as mais altas taxas de juros”, disse o economista. Para o Procon, o consumidor, se puder, deve evitar empréstimos, especialmente na modalidade cheque especial, que é o que vem apresentando as maiores taxas.

“O consumidor só deve recorrer ao cheque especial em momentos de emergência. Depois, precisa buscar outros mecanismos para não ficar dependente dessa modalidade”, disse o diretor do Procon de São José dos Campos, Sérgio Werneck de Almeida.

O Vale