Embraer realiza test drive em avião a Biocombustivél

A Azul Linhas Aéreas prevê utilizar biocombustível em seus voos comerciais dentro de cinco anos. Este é o prazo estimado para a homologação do produto feito à base de cana-de-açúcar, fruto de uma tecnologia desenvolvida pela Amyris.

Ontem, o biocombustível foi testado em um voo da aeronave E-195, da Embraer, que partiu do aeroporto de Viracopos, em Campinas, para o aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, como parte das ações do evento de sustentabilidade Rio+20.

A tecnologia da Amyris, fruto de investimento de US$ 500 milhões, utiliza microorganismos que atuam convertendo o açúcar da cana em hidrocarboneto e é capaz de reduzir em até 82% a emissão de dióxido de carbono em relação ao querosene convencional.

“Esse voo é o ápice desse projeto iniciado em 2009, um marco para a aviação mundial”, disse o diretor de Relações Institucionais da Azul, Adalberto Febeliano. A Embraer, além da parceria com Azul, Amyris e a fabricante de motores GE para o voo de ontem, atua em outras frentes para atingir maior índice de sustentabilidade em suas aeronaves.

“A aviação é responsável por apenas 2% da emissão de dióxido de carbono no mundo, mas é uma indústria que está crescendo e que vai continuar crescendo. Por isso, houve compromisso de se reduzir a emissão de poluentes”, disse o diretor de desenvolvimento tecnológico da Embraer, Jorge Ramos.

O compromisso da indústria aeronáutica é reduzir em até 50% a emissão de poluentes na atmosfera até 2020 com base nos índices de 2005, considerando o aumento da frota de aeronaves no mundo.

“São várias frentes para atingir esse objetivo. Temos projetos estruturais, uma busca pela eficiência operacional com sistemas que viabilizem a operação de menor consumo de combustível. Outra frente é na construção da aeronave, com sistemas mais eficientes, perfis aerodinâmicos e materiais que deixem essas aeronaves mais leves”, disse Ramos.

Uma dessas ações é o LEL (Laboratório de Estruturas Leves), situado no Parque Tecnológico de São José no qual a Embraer faz o papel de empresa integradora. No local são desenvolvidas tecnologias para utilizar materiais cada vez mais leves na construção dos aviões.

“O LEL está no foco da construção de uma aeronave mais leve e vai permitir que todas as empresas aéreas façam seus exercícios e soluções com essas tecnologias mais leves”, afirmou Ramos. Sem citar números, o executivo salientou que para a nova família de E-Jets remotorizados, com previsão de entrada no mercado em 2018, haverá “ganhos substanciais em termos de redução” de emissão de poluentes.

A Embraer está envolvida em pelo menos outras quatro frentes para a pesquisa de biocombustível. Na maior delas, atua com a norte-americana Boeing e a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) na elaboração de um estudo voltado para identificar todas as possibilidades de biomassa a serem empregadas como combustível.

A cana-de-açúcar, usada no voo de ontem, já é utilizada pela indústria do açúcar e do etanol, o que poderia criar uma disputa interna pelo produto e elevar os custos do combustível para aviões, hipótese descartada pelo diretor da Azul.

“O custo do biocombustível é compatível com o do querosene tradicional. Não vejo risco na safra da cana-de-açúcar maior do que o risco político no Oriente Médio, que eleva o preço do barril de petróleo”, disse Febeliano, ressaltando que existem outras possibilidades a serem estudadas.

“Temos milhões de pastos degradáveis que poderiam ser convertidos na produção de cana. Ainda temos cartas na manga e muitas possibilidades”, afirmou o diretor da companhia aérea.  O voo de aproximadamente 50 minutos partiu de Campinas por volta do meio-dia e teve a composição de 50% de querosene convencional e 50% de biocombustível, batizado de AMJ 700.

O Vale

Região tem crescimento na exportação no Vale

O saldo acumulado da exportação subiu nos primeiros cinco meses deste ano nas principais cidades da região São José dos Campos, Taubaté e Jacareí. Os dados foram disponibilizados ontem pela Secex (Secretaria de Comércio Exterior), ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

De acordo com os números, as exportações de São José aumentaram 18% de janeiro a maio em relação ao mesmo período do ano passado, com volume total acumulado de US$ 2,25 bilhões. O montante garantiu à cidade um novo posto no ranking nacional das exportações, saindo do 7º e alcançado a 6ª colocação. Taubaté, ocupa a 41ª e Jacareí está em 154ª.

O balanço mostra ainda que a exportação em Taubaté subiu 12% este ano e atingiu até maio o acumulado de US$ 513 milhões. Em Jacareí, o aumento foi de 5,9% com acumulado de US$ 22 milhões. Segundo os dados, o principal produto exportado por São José são as aeronaves da Embraer, principalmente os jatos executivos, considerados aeronaves de pequeno porte. A fabricante de aviões foi responsável este ano por 63% das exportações da cidade.

Em Taubaté, a parcela mais significativa dos produtos exportados é formada por carros da Volkswagen e motores fabricados pela Ford. Em Jacareí, os principais produtos exportados, segundo o levantamento do governo federal, são as peças de aeronaves das fornecedoras da Embraer.

A Prefeitura de São José informou que maio o volume exportado pela cidade foi de US$ 502,4 milhões. O secretário de Desenvolvimento Econômico, José de Mello Corrêa, afirmou que o balanço é positivo e mostra que as empresas da cidade estão em um bom momento.

“Se for analisado a valorização do dólar perante ao real, o aumento das exportações é ainda mais significativo e chega próximo aos 40%”, afirmou. Segundo ele, o dólar em maio de 2001 estava cotado em R$ 1,53, contra R$ 2,03 este ano. A prefeitura informou ainda que se considerado o ranking nacional dos exportadores de produtos industrializados, São José ocupa desde setembro de 2011 a segunda posição.

O Vale

Sindicato decidi diminuir a produção na GM

Após anunciar a abertura de um PDV (Programa de Demissão Voluntária) em sua fábrica de São José, a General Motors reduziu nessa semana o volume de produção da linha conhecida como MVA, responsável pela fabricação dos modelos Meriva, Zafira e Corsa.

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São José, no primeiro turno do MVA, a produção passou de 46 para 29 carros por hora. Já no segundo turno, de 22 para 17 unidades. A medida seria o início do ajuste da produção do complexo fabril da GM, o que, segundo a empresa, motivou a abertura do PDV, cujo prazo de adesão termina hoje.

Em entrevista a O VALE após o anúncio da implantação do programa, o diretor de Assuntos Institucionais da GM, Luiz Moan afirmou que os modelos produzidos no MVA estavam em baixa no mercado, o que forçou o ajuste na produção.

As minivans Meriva e Zafira, inclusive, saem de linha ao longo do ano. O veículo substituto dos modelos, batizado de Spin, já está sendo produzido na unidade da GM em São Caetano do Sul. Ontem, o Sindicato dos Metalúrgicos realizou uma assembleia com os trabalhadores da GM para debater a situação da fábrica.

Na ocasião, foi aprovado o pedido de reabertura das negociações entre GM e sindicato para discutir investimentos na unidade. O esforço, no entanto, pode ser em vão. Moan afirmou que não estão previstos novos investimentos para o Brasil e que não seria possível atender às reivindicações apresentadas pelo sindicato.

O Vale

Cidade realizará feira de Industria, Serviços e Comercios Exterior

A 11ª edição da Logisvale Internacional – Feira da Indústria, Serviços e Comércio Exterior do Vale do Paraíba – será realizada nesta quarta (13) e quinta-feira (14) no Pavilhão de Exposições do Parque Tecnológico de São José dos Campos, que fica na Rodovia Presidente Dutra, km 137,8, no Distrito de Eugênio de Melo, região leste do município.

A feira, a maior do gênero do interior paulista, terá a participação de empresas de oito países com foco na promoção das relações comerciais por meio de rodadas de negócios, realizadas pela São Paulo Chamber of Commerce (SPCC), orgão que promove as relações comerciais entre empresas brasileiras, principalmente paulistas, com o resto do mundo.

Além das rodadas de negócios, o evento terá palestras e debates sobre temas relevantes para o Vale do Paraíba. Um deles é a implantação e perspectivas de negócios da Região Metropolitana, composta por 39 municípios com estimativa de investimentos na ordem de R$ 440 bilhões até 2015. O aeroporto de São José dos Campos, a infraestrutura regional para o futuro da carga do Vale do Paraíba e as oportunidades de negócios para as empresas da região com o evento da Copa do Mundo de 2014 também estão entre os assuntos que serão discutidos.

Por meio de uma programação atrativa e com a manutenção do tamanho da área de exposição, a organização espera superar o público do evento anterior, quando cerca de 4 mil pessoas participaram da feira.

O objetivo da Logisvale é debater e atualizar os participantes sobre temas como a indústria, o transporte, a infraestrutura, a logística, o comércio exterior e o fomento à economia e aos setores produtivos. Além de atrair grupos corporativos, empresas, entidades, executivos e profissionais de todos os municípios do Vale do Paraíba, capital e interior do estado de São Paulo, bem como de outros estados do Brasil com interesses comerciais e operacionais de aproximação, investimentos e negócios.

A Logisvale tem o apoio da Prefeitura de São José dos Campos, Associação Comercial e Industrial do Vale do Paraíba (ACI), Sindicato das Transportadoras do Vale do Paraíba (Sindivapa), Sindicato dos Despachantes Aduaneiros do Estado de São Paulo (Sindasp), Faculdade de Tecnologia de São Paulo (Fatec), Parque Tecnológico São José dos Campos e ATUALSERV.

Parcerias

Para esta edição, os grupos organizadores da Logisvale Internacional e da Expo Aero Brasil (EAB), feira voltada à cadeia de produtos e serviços ligados à aviação, oficializaram acordo para ações bilaterais de comunicação institucional: cada uma das feiras terá um stand no evento parceiro. A intenção é divulgar as temáticas, oportunidades regionais e informações de participação das empresas e público visitante.

Embora dirigidas a setores específicos diferentes (aviação e logística), as feiras têm boa parte do público convergente, composto por indústrias, prestadoras de serviços, executivos, empresários e investidores que querem fazer negócios com o Vale do Paraíba.

Além da EAB, a Logisvale Internacional 2012 terá outro parceiro: a FatecLog – Congresso de Logística, promovido pelas Instituições de Ensino do Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza, em Guaratinguetá de 31 de maio a 2 de junho. A Logisvale estará presente no FatecLog e, posteriormente, receberá professores, estudantes e profissionais recém formados.

Prefeitura de São José

Metálurgicos da Gm tem votação de PLR

Após quase um mês de negociação e seis reuniões, a General Motors e o Sindicato dos Metalúrgicos chegaram ontem a um acordo sobre a PLR (Participação nos Lucros ou Resultados) que será paga este ano aos 7.921 funcionários da fábrica de São José dos Campos.

O valor, não divulgado ontem pelo sindicato, será avaliado hoje pelos empregados em assembleias nos turnos da manhã e da tarde. A expectativa da direção do sindicato é que a proposta seja aprovada, já que é maior que o valor do ano passado, quando os funcionários receberam R$ 11. 268.

“Quem vai decidir são os trabalhadores. O que posso dizer é que é maior que o valor do ano passado”, disse o presidente eleito do sindicato Antonio Ferreira Barros, o ‘Macapá’, que toma posse neste sábado. Caso a proposta seja aprovada, os metalúrgicos poderão receber a primeira parcela do benefício ainda este mês, o que era uma das metas do sindicato antes do início das negociações, que também envolveram o Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano do Sul, onde a GM possui a maior parte de sua produção.

O sindicato conseguiu uma PLR maior ainda que a meta de produção nas fábricas de São José e São Caetano seja menor em relação ao ano passado. Para receber o benefício superior aos R$ 11.268 de 2011, os trabalhadores terão que produzir 385 mil veículos ante as 404 mil unidades do ano passado.

“Essa diminuição não significa que os funcionários estão trabalhando menos. Isso é causado pelos lançamentos que a GM tem feito no país de modelos fabricados fora”, afirmou Macapá. Durante as reuniões, o sindicato tentou atrelar as metas de produção à abertura de um terceiro turno na linha da S10 em São José. Segundo os metalúrgicos, esta seria a única forma de produzir as 62 mil unidades da picape, meta exigida pela montadora.

A mudança, no entanto, ficou para outra oportunidade. A saída de linha de alguns modelos fabricados em São José preocupa o sindicato, entidades ligadas à indústria e o poder público. O prefeito Eduardo Cury (PSDB) chegou a receber o sindicato em seu gabinete, quando prometeu intermediar as negociações com a GM para a atração de novos investimentos para a fábrica na cidade.

Cury afirma já ter entregue o documento à direção da empresa, que disse que trataria diretamente com o sindicato sobre o assunto.  A GM possui 7.921 trabalhadores em São José, segundo dados passados pela empresa ao sindicato.

Atualmente, a fábrica produz os modelos Meriva, Zafira, Corsa, Classic e S10. Os dois primeiros devem sair de linha a partir de junho.  A GM não comentou o assunto.

O Vale

Cidade perde status de Mega Polo Automobilistico na Região

Principal polo do setor automotivo na região, São José dos Campos caminha para perder seu posto com o crescimento das cadeias produtivas em Taubaté e Jacareí. Na década de 80, a General Motors, que lidera a cadeia automotiva na cidade, empregava 12.500 pessoas. Hoje, possui cerca de 8.000 trabalhadores e pode ‘enxugar’ ainda mais em breve.

Na contramão da indústria automotiva, que anunciou recentemente investimentos para ampliação de fábricas e construção de novas plantas, a GM vive a expectativa de demissões com a saída de linha de modelos como Zafira e Meriva.

A nova versão das minivans será produzida na unidade da GM em São Caetano do Sul, no ABC Paulista. A cadeia produtiva que alimenta a GM também se difundiu pelo Vale. São 10 empresas de autopeças em São José, contra 20 em Taubaté, instaladas no parque industrial da Volkswagen.

Outras 20 fornecedoras deverão se instalar na fábrica da chinesa Chery, em Jacareí, no final de 2013. A guerra fiscal com outros municípios da região fez com que investimentos, como da fabricante de vidros automotivos AGC, fossem para Guaratinguetá. Lorena, também com incentivos fiscais, ‘fisgou’ a nova unidade de produção da fabricante de ônibus Comil. A Prefeitura de São José não considera o risco de perder o posto de polo automotivo da região.

Para o economista do Núcleo de Pesquisas Econômico-sociais da Universidade de Taubaté, Edson Trajano, a vocação exportadora da indústria automotiva de São José fez com que a cidade sentisse mais o processo de descentralização na produção das montadoras no país.

“Praticamente toda a produção de carro em Taubaté é voltada para o mercado interno, enquanto em São José, tem um maior peso o setor externo”, disse.

O Vale

Embraer tem redução de ganhos devido a crise e do Dólar

A Embraer, de São José dos Campos, registrou queda 73% no lucro líquido em 2011 na comparação com o ano anterior, aponta o balanço financeiro divulgado ontem à noite pela companhia.

A empresa obteve um lucro líquido de R$ 156,3 milhões no ano passado, ante os R$ 573,6 milhões de 2010. O balanço revela que a fabricante também entregou menos aviões em 2011. Foram despachadas 204 aeronaves contra 246 em 2010. A maior redução foi no segmento executivo.

Os dados mostram que a empresa registrou aumento da receita no período, mas também viu crescer suas despesas operacionais. A receita líquida do ano foi de R$ 9,8 bilhões, 5% maior que os R$ 9,3 bilhões do ano anterior. “Apesar do menor número de entregas nesse ano comparado ao ano passado, o mix de produtos foi mais favorável, com uma maior participação dos E-Jets em relação aos Phenom”, informa o balanço.

A Embraer aponta que a redução do lucro foi motivada por vários fatores. Entre eles, está a valorização do real frente ao dólar, que no período foi de 5% e impactou as despesas em moeda nacional. Em 2011, as despesas operacionais totalizaram R$ 1,697 bilhão, apresentando crescimento de 53% em relação ao R$ 1,112 bilhão registrado em 2010.

A empresa justifica o crescimento das despesas operacionais ao fato de a companhia ter feito provisões financeiras de R$ 465,3 milhões para cobrir eventuais perdas relativas às suas obrigações com garantias financeiras e de valor residual (RVG) oferecidas a agentes financiadores e clientes das aeronaves da família ERJ 145.

Ela relata no balanço que a AMR (American Airlines), que entrou em processo de concordata ao final de 2011, opera atualmente 216 jatos da família ERJ 145, por intermédio de sua subsidiária integral American Eagle, e sua decisão final de como gerenciará essa frota ainda está em curso.

“Para fazer frente a este cenário, a Embraer constituiu uma provisão de R$ 583,2 milhões”, informa o balanço. A Embraer relata ainda que há dificuldades com relação a uma frota de 36 aeronaves ERJ 145 que eram operadas pela Mesa AirGroup e que ainda não foram recomercializadas, sendo obrigada a fazer provisões financeiras de R$ 79,4 milhões para garantias financeiras e ajustes.

Outros principais indicadores financeiros da companhia registraram redução em 2011. O resultado operacional (Ebit) da empresa totalizou R$ 521,8 milhões em 2011, 24% menor que os R$ 685,6 milhões do ano anterior, gerando margem operacional de 5,3%, menor que os 7,3% de 2010. Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) atingiu R$ 923 milhões, 14% menor que os R$ 1,069 bilhão do ano anterior.

Em 2011, as exportações da fabricante totalizaram US$ 4,209 bilhões, colocando-a como a quinta maior exportadora brasileira, contribuindo com 1,64% para o saldo da balança comercial brasileira, informa o balanço.

O Vale

Crise não abala o indice de exportação na cidade

As cidades exportadoras do Vale do Paraíba começaram o ano com um volume de vendas ao exterior maior do que em 2011. No primeiro bimestre do ano, as exportações subiram 10% em São José dos Campos e 17% em Taubaté, em relação ao mesmo período do ano passado.

Os setores aeronáutico e automotivo foram os responsáveis pelo crescimento do montante vendido ao exterior, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior divulgados ontem.

Em São José, os principais destinos da exportação foram os Estados Unidos e a China, graças a negócios da Embraer. O valor vendido ao exterior nos dois primeiros meses do ano, US$ 528 milhões, surpreendeu a liderança empresarial da cidade.

“Estou surpreso. Como (a exportação) pode aumentar tanto se a indústria está devagar, com produção em baixa”, questionou o diretor regional do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de São José, Almir Fernandes.

Por outro lado, a Argentina, principal destino das exportações do município em 2011, registrou neste bimestre queda de 64% nas encomendas ao Brasil, resultado do embargo de autopeças promovido pela presidente argentina Cristina Kirchner no início de fevereiro.

“Por isso é que estão tentando mudar essa situação em São Paulo (sede do Ciesp). Enquanto não resolver esse problema, o negócio vai ficar desta maneira”, disse Fernandes. Em Taubaté, o montante exportado no primeiro bimestre do ano foi de US$ 202 milhões.

Segundo o diretor regional do Ciesp de Taubaté, Fábio Duarte, a indústria automobilística da cidade, representada por Ford e Volkswagen, tem conseguido se sobressair do momento de retração na atividade industrial por contratos já assinados.

“Tão logo novos contratos entrem em negociação é que teremos o maior impacto nas exportações. (Ford e Volks aumentaram as exportações) porque estão utilizando contratos anteriores à crise”, disse. Apesar de queda de 3% no volume exportado no bimestre em relação a 2011, a Argentina continua sendo o principal destino das vendas ao exterior de Taubaté, seguida de perto pelo México (veja quadro nesta página).

A crise na LG Electronics, por sua vez, foi sentida no balanço do MDIC. Na comparação entre o primeiro bimestre deste ano com o de 2011, o volume de produtos de telefonia móvel exportado caiu 97%.

Desde o início da queda na produção da fabricante com unidade em Taubaté, mais de 500 pessoas foram demitidas na LG. A crise também atingiu a cadeia produtiva da empresa, com mais de 700 cortes, segundo dados do Ciesp.

“A situação (da LG) deve melhorar um pouco em março. Temos informação de que há novos contratos e alguns trabalhadores estão fazendo hora extra. Por isso, alguns demitidos devem ser recontratados por já serem funcionários treinados”, disse Duarte.

O Vale

Nos ultimos cinco meses, crise na industria fecha vagas de emprego

A indústria de São José fechou 1.600 postos de trabalho nos últimos cinco meses 250 só em janeiro e fevereiro, aponta balanço do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) divulgado ontem. Na contramão, Taubaté já acumula 1.300 empregos abertos no setor somente nos dois primeiros meses do ano.

A explicação para a diferença de comportamento entre as duas maiores bases industriais do Vale pode estar no custo de produção no Brasil e na redução das exportações para regiões em crise, como Estados Unidos e Europa. Isso porque São José tem sido prejudicada com a perda de competitividade de seus principais produtos (aviões e carros) frente à concorrência dos importados, mais baratos.

Já Taubaté, apesar de ter sua economia industrial também baseada do setor automotivo, exporta para países emergentes, que vêm sendo menos afetados pela crise mundial. Para o diretor regional do Ciesp de São José, Almir Fernandes, a cidade é vítima de um processo que atinge o país como um todo.

“Estamos sentindo que a indústria está diminuindo. Se não há crescimento, não há necessidade de contratação. O comércio está vendendo, mas a indústria não está produzindo pela concorrência dos importados”, afirmou. Uma das empresas afetadas pela crise é a Graúna, fornecedora da Embraer com sede em Caçapava. No mês passado, ela demitiu 100 pessoas para ajustar a produção à demanda. Em nota, a empresa explica os efeitos da crise em sua produção.

“A Graúna vem sofrendo grande impacto nas suas vendas desde a crise de 2008. Atualmente, passa por um processo de reestruturação imprescindível diante das dificuldades enfrentadas a partir da forte valorização do real frente ao dólar. Isso inviabilizou a manutenção dos contratos de exportação, causando queda nas receitas e aumento nos custos de produção”, diz trecho da nota.

Segundo o diretor regional do Ciesp de Taubaté, Fábio Duarte, apesar da geração de vagas, o resultado poderia ter sido melhor. “Tivemos 300 demissões na cadeia produtiva da LG Eletronics em fevereiro. Por outro lado, o setor automotivo, com Ford e Volkswagen, continua contratando”, disse.

Para José Luís Nunes, secretário de Relações do Trabalho de São José, o quadro só será revertido com novos investimentos. “O que temos que fazer é reunir prefeitura, empresas e sindicato para trabalhar em cima desse número (1.600 postos perdidos). A prefeitura está fazendo sua parte, com cursos de qualificação e uma lei de incentivos fiscais que deve ser votada em 10 dias.” Em Jacareí, a indústria gerou 100 postos em fevereiro e 250 no acumulado do ano.

O Vale

Projeto na cidade para criação de Museu de Comércio e Industria

A ACI (Associação Comercial e Industrial) de São José dos Campos começou a reunir um acervo de documentos inédito na cidade para dar início ao projeto do Museu do Comércio e Indústria. O projeto foi criado em 2011 e tem como objetivo reunir um acervo com fotos, documentos e informações sobre empresas que tenham 30 anos ou mais no mercado joseense.

O objetivo, segundo a ACI, é relatar o surgimento desses estabelecimentos e resgatar a história do comércio da cidade. Com o projeto, a população também poderá consultar os documentos para pesquisa e entretenimento. De acordo com Maurício Cury, responsável pelo setor de marketing da ACI, o primeiro passo da campanha foi a realização de um levantamento dessas empresas.

“A próxima etapa será entrar em contato com esses comerciantes, apresentar a proposta e fixar uma parceria para o início da confecção do material, que inicialmente ficará disponível no saguão do prédio da ACI”, afirmou Cury.

A ideia da ACI também é construir um espaço físico, que pode ficar na região central, com o apoio da prefeitura e da Fundação Cultural Cassiano Ricardo. O local seria exclusivo para a exposição dos documentos reunidos como objetos, fotos e outros materiais.

“Preservar a história é a forma mais sólida de construir o futuro. No museu estaremos mostrando os bons exemplos dos verdadeiros pioneiros de São José”, afirmou o presidente da ACI, Felipe Cury. O primeiro estabelecimento a fazer parte do acervo foi o restaurante Vila Velha, na avenida João Guilhermino.

Com mais de 43 anos no mercado, a casa foi fundada em 1968 por dois ex-funcionários da General Motors e comprada por Antônio Ferreira Junior em 1975, que mantém até hoje o estilo familiar do local. “A iniciativa é extremamente importante porque resgata o histórico da cidade e a trajetória das empresas mais antigas. Além desse resgate, o acervo será exemplo para as novas gerações e deverá estimulá-las a ver que é possível manter uma empresa no mercado por tantos anos, desde que seja realizado um bom trabalho”, afirmou Junior.

A campanha será realizada em várias etapas, mas ainda não há um prazo nem local definido para a instalação do futuro museu. Para Washington Rodrigues, gerente de Operações da Tarzan Soluções em Eletrônica, loja que existe há 50 anos no centro da cidade, a iniciativa foi positiva. Ele recebeu o convite da ACI para participar do museu na semana passada.

“Vou ceder fotos da loja e do início de tudo, com meu pai ainda aqui. Isso vai resgatar a história do comércio na cidade. Vamos mostrar para a nova geração a tradição da nossa empresa, a história da família”, disse Rodrigues. A campanha para reunir fotos e objetos para o acervo do Museu do Comércio e Indústria de São José pode ser consultada pelo site www.acisjc.com.br.

O Vale