Ano de 2011 fecha com 550 vagas na indústria

O mês de novembro foi ruim para a indústria da região. Juntas, as regionais de São José e Taubaté perderam 550 postos de trabalho. Apenas Jacareí registrou saldo positivo, com a geração de 20 vagas no setor. O resultado foi bem diferente na comparação com novembro de 2010, quando todas as regionais do Vale registraram geração de emprego, segundo dados do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo).

A regional de Taubaté, que compreende 28 cidades, teve o pior desempenho, com o fechamento de 450 vagas, resultado puxado pelas demissões nos setores de equipamentos de informática e produtos eletrônicos. Segundo o gerente do Ciesp de Taubaté, José de Arimathéa Campos, o resultado era esperado. “Era uma expectativa que já tínhamos com demissões no setor eletrônico e algumas no automotivo.”

Esse foi o segundo pior novembro da regional desde 2005 e o quinto mês consecutivo do ano com saldo negativo na geração de emprego. A crise no exterior é apontada como culpada pelos cortes em determinados segmentos.  Em São José, a queda de empregos foi puxada pelo desempenho dos setores de metalurgia e móveis. Foi o segundo mês seguido de redução de vagas na regional de São José, que tem oito municípios.

Já em Jacareí, a expansão de empresas continua fazendo com que a regional registre aumento em suas vagas de trabalho na indústria. No ano, foram geradas 1.100 postos.

São José
Novembro 2011: – 100 vagas
Acumulado no ano: 1.950 postos gerados

Taubaté
Novembro 2011: – 450 vagas
Acumulado no ano: 600 pontos gerados

Jacareí
Novembro 2011: + 20 vagas
Acumulado no ano: 1.100 postos gerados
Fonte: Dados do Ciesp

O Vale

IBGE mostra que característica industrial lideram ranking

Dados do PIB (Produto Interno Bruto) de 2009 divulgados ontem mostram que a distribuição de riqueza entre as cidades da região é desigual. O levantamento é do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A pesquisa revela que a maior parte da riqueza regional está concentrada no eixo entre as cidades de Jacareí e Pindamonhangaba. Embora apenas dois dos 39 municípios do Vale e Litoral Norte tenham registrado queda no PIB em 2009 (São Sebastião e Santa Branca), o crescimento da riqueza nas pequenas e médias cidades está bem distante do verificado nos municípios que concentram atividades industriais e de serviços.

PIB é o indicador que mede a produção de um país, levando em conta três grupos principais agropecuária, indústria e serviços. São José é o município com maior PIB, de R$ 22,018 bilhões. A renda per capita da população é de R$ 35 mil. No ranking das 100 cidades do país com maior PIB, São José pulou do 21º para o 19º lugar.

A seguir, Taubaté é a segunda com maior riqueza na região, com PIB de R$ 8,324 bilhões. A cidade pulou de 61º para 54ºlugar no ranking nacional. A renda per capita é de R$ 30,4 mil. Jacareí e Pinda estão na sequência de cidades mais ricas, com PIBs de R$ 4,832 bilhões e R$ 4,417 bilhões, respectivamente. Já a renda per capita das duas cidades é de R$ 22.705,97 e R$ 28.851,13, respectivamente.

Arapeí é o município mais pobre da região, com PIB de R$ 26,350 milhões, seguido por São José do Barreiro (R$ 31,520 milhões) e Canas (R$ 34,6 milhões, revela o IBGE. Na avaliação do prefeito de Jacareí, Hamilton Ribeiro Mota (PT), a criação da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte pode ser a oportunidade para reduzir as desigualdades regionais.

“A RM pode ter instrumentos que permitam um desenvolvimento igualitário entre os municípios e para uma melhor distribuição da riqueza. Isso é bom para os pequenos e também para a grandes cidades.” Com relação ao PIB de Jacareí, Hamilton destacou que, apesar de 2009 ter sido um ano de crise na economia, a cidade conseguiu se destacar. “Acreditamos que 2010 foi ainda melhor”, afirmou.

José de Mello Corrêa, secretário de Desenvolvimento Econômico de São José, analisa que os dados do IBGE são positivos para toda a região. “A pesquisa revela que a maioria das cidades teve crescimento no PIB. Para São José, os dados também são positivos, pois melhoramos a nossa posição no ranking nacional”, disse o secretário.

O Vale

Mais empregos previtos até 2030 na região

Maior centro exportador do setor de defesa do Brasil, o Vale do Paraíba terá que competir com novos polos que estão surgindo no país, com o processo de descentralização da indústria de defesa e segurança.

A previsão é de um estudo divulgado ontem pela Abimde (Associação Brasileira das Indústrias de Materiais do Setor de Defesa e Segurança) sobre o futuro do segmento. Segundo a entidade, neste ano, o setor deve exportar US$ 1 bilhão. Do montante, o Vale responde por quase 50%.

O presidente da Abimde, Orlando José Ferreira Neto, que é vice-presidente da Embraer Defesa e Segurança, relatou que o governo federal tem incentivado a descentralização do setor e já há outros polos tecnológicos e produtivos formados e em expansão. Para exemplificar, o executivo citou que o polo industrial de defesa já reúne 40 empresas. “Há polos em Minas Gerais, no Ceará e em outras regiões de São Paulo, como no ABC”, disse Ferreira Neto.

O presidente da Abimde destacou que o Vale permanece como um dos principais polos do segmento, mas a tendência é que poderá reduzir a sua participação nas exportações. “O Vale do Paraíba já é um polo importante no cenário da indústria de defesa pela tecnologia pelas empresas e conhecimento existentes na região e não vejo o crescimento da indústria de defesa não passar pelo Vale.”

Ele salientou que no futuro o Vale vai continuar tendo participação importante no cenário das exportações do setor de defesa, possivelmente não no porcentual atual.

“O setor de defesa do Vale vai continuar crescendo e terá papel relevante no cenário de exportação”, disse.
A Abimde prevê que até 2030 o segmento irá ampliar o número de empregos diretos dos atuais 25 mil para 60 mil. Os investimentos já anunciados para o setor somam cerca de R$ 40 bilhões.

Ontem, o engenheiro Ozires Silva, um dos criadores da Embraer, foi homenageado pela diretoria da Abimde pelos seus 80 anos.

O Vale