Brasil e Canadá assinam acordo para formação na área espacial

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Representantes das agências espaciais do Brasil e do Canadá assinaram nesta segunda-feira (17) no Parque Tecnológico de São José dos Campos um Acordo de Cooperação para a formação de profissionais e estudantes qualificados em disciplinas relacionadas ao espaço.

A cerimônia de assinatura foi pouco antes de uma série de palestras proferidas por especialistas dos dois países no âmbito da Missão Espacial Canadense no Brasil, organizada pela Agência Espacial Brasileira (AEB), o Consulado Geral do Canadá em São Paulo e a Agência Espacial Canadense (CSA), com o apoio da Secretaria municipal do Desenvolvimento Econômico e da Ciência e Tecnologia (SDECT).

O secretário Sebastião Cavali foi um dos palestrantes do primeiro painel de negócios, mediado pelo diretor de Satélites, Aplicações e Desenvolvimento da AEB, Carlos Alberto Gurgel Veras, e que teve como tema: “Aplicações da Tecnologia Espacial para o Desenvolvimento Social e Econômico”.

O principal objetivo da Missão Espacial Canadense ao Brasil é buscar o desenvolvimento do setor aeroespacial fomentando parcerias estratégicas entre governos, instituições e empresas dos dois países nas áreas de ciência, tecnologia e inovação.

“Um de nossos maiores desafios é sincronizar desenvolvimento econômico e inovação espacial. Para que nossa indústria seja capaz de atender nossa demanda, ela precisa se tornar mais competitiva. E todos os atores envolvidos – Governo, Estado, Prefeitura, empresas, universidades e centros de pesquisa – devem trabalhar juntos neste sentido”, enfatizou o secretário Sebastião Cavali.

“Assim como o Canadá, o Brasil é um país de dimensões continentais, que precisa muito da tecnologia espacial. É imprescindível que o país domine essa tecnologia, e um dos caminhos possíveis para alcançar este objetivo é através de parcerias internacionais”, disse o diretor da AEB.

O primeiro dia do evento contou com a presença de mais de 100 pessoas, entre representantes da Prefeitura, das agências espaciais do Brasil e do Canadá, do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), da Câmara de Comércio Brasil Canadá (CCBC), do Parque Tecnológico, do CECOMPI (Centro para Inovação e Competitividade do Cone Leste Paulista) e de várias empresas brasileiras e canadenses do setor aeroespacial.

Curso sobre Tecnologia Espacial é oferecido pelo Inpe

O Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) de São José dos Campos realiza até o próximo dia 26 de julho o curso de inverno “Introdução às Tecnologias Espaciais”, com a participação de alunos de diversas universidades brasileiras. A atividade começou no último dia 10 e envolve todas as fases de desenvolvimento de um satélite, desde a concepção do projeto até sua operação em órbita.

Entre os participantes, estão estudantes da UFABC, UFMG, UFSC, UnB, Unicamp, Unifesp, Univap, USP, entre outras instituições brasileiras, e alunos do próprio Inpe –terceirizados, bolsistas e pós-graduandos. Eles assistem a palestras e fazem um breve estágio técnico com os especialistas do instituto.

Segundo Wilson Yamaguti, engenheiro do Inpe e um dos responsáveis pelo curso de inverno, o site do instituto recebeu 125 inscrições de estudantes universitários vindos de fora. “A demanda é grande. Inclusive nos pedem a criação de um curso de verão, mas isso está fora de cogitação agora pela falta de tempo e espaço para locação”, disse.

As palestras vão até hoje, com visitas aos laboratórios ocorrendo em paralelo. Na próxima semana, a última de curso, acontece um estágio técnico com os especialistas do Inpe. Os graduandos vêm principalmente da área de exatas, como engenharia elétrica, física, matemática e química. “Demos preferência a quem tem melhor histórico escolar”, explicou Yamaguti.

Oferecido de forma gratuita, o curso de inverno é realizado anualmente pela Coordenação de Engenharia e Tecnologia Espacial do Inpe. Um dos objetivos é despertar nos alunos vocações e o interesse pelas oportunidades de mestrado, doutorado oferecidas pelo Instituto. Também são vários os cursos de pós-graduação: astrofísica, engenharia e tecnologia espaciais, geofísica espacial, computação aplicada, meteorologia, sensoriamento remoto e ciência do sistema terrestre.

A especialização e o prosseguimento na área de tecnologia espacial é ponto comum entre os participantes do evento. “Vou concorrer a uma bolsa e tentar fazer pós-graduação, quero me tornar um pesquisador”, disse Quenaz da Cruz Eller, 31 anos, morador de Jacareí, que frequenta o penúltimo ano de engenharia da computação na Unip (Universidade Paulista).

A programação de 2012 do curso de inverno do Inpe foi reestruturada de forma a cobrir praticamente todos os itens relacionados aos sistemas e tecnologias espaciais. O cronograma de atividades é composto por 37 palestras e 4 visitas ao Miniob-servatório Astronômico, Centro de Visitantes, LIT (Laboratório de Integração e Testes) e o CRC (Centro de Rastreio e Controle).

A programação completa está disponível no site do Inpe na Internet: www.inpe.br.

O INPE está prestes a colocar mais um satélite em órbita, o CBERS-3. O lançamento é previsto para o fim do ano. Em Beijing, na China, são feitos os últimos testes. O satélite é o 4º desenvolvido em parceria com os chineses, o que garante aos 2 países o domínio mundial da tecnologia para observação da Terra.

O Vale

Sub sede de agência espacial será construída na cidade

São José dos Campos deve sediar uma espécie de sub-sede da AEB (Agência Espacial Brasileira), a fim de ampliar os projetos do setor desenvolvidos com institutos de pesquisa e empresas locais. A proposta é do novo presidente da agência, o matemático maranhense José Raimundo Braga Coelho, que falou ontem a O VALE pela primeira vez após ser oficialmente nomeado, na sexta-feira, pela presidente Dilma Rousseff (PT).

A unidade da AEB no Vale do Paraíba deve ser instalada no Parque Tecnológico de São José, entidade presidida até então por Coelho. “Essa ideia ainda vai ser formalizada. Fico muito triste em me distanciar da direção do Parque, mas o que me conforta é que vou para uma posição que farei novos relacionamentos para trazer mais coisas para o Parque”, disse Coelho.

O matemático considerou sua tarefa à frente da AEB “uma missão árdua cheia de desafios grandes”. Entre esses principais desafios está o desenvolvimento dos projetos já em curso com o orçamento do MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação), de R$ 3,7 bilhões previstos para este ano.

“São muitos projetos, muita demanda, para uma quantia limitada de recursos. Talvez este seja o maior desafio. Temos que fazer uma avaliação da viabilidade técnica de cada projeto antes de qualquer coisa. Se existisse um orçamento enorme, os desafios diminuiriam”, disse Coelho.

Ele salientou que uma alternativa estudada é ampliar os recursos provenientes de parcerias com iniciativa privada. “Essa parceria é algo muito valorizado ultimamente. Esperar que o governo propicie todo o orçamento é desmerecer que estamos no Brasil. Aqui temos muitas prioridades em muitas áreas”, disse.

VLS. O matemático ressaltou que o lançamento do VLS-1 (Veículo Lançador de Satélite) previsto para este ano pode não acontecer como o esperado. “O lançamento do (satélite) Cbers-3 é possível, pois ele não tem pendências de orçamento. Temos 100% de convicção que será lançado. Quanto aos outros programas, existem dúvidas, será um grande desafio. Trabalharemos para tirar essas dúvidas”, afirmou.

Questionado sobre a queixa da comunidade científica do esvaziamento de pesquisadores nos institutos da região, Coelho disse que é a favor de contratações temporárias para projetos. “Cada caso é um caso. Todos os institutos estão sempre considerando seu efetivo menor que o necessário. Faz parte. Temos que analisar a situação de cada instituto para identificar a necessidade de recursos humanos. Se determinado instituto não estiver cumprindo sua tarefa e o problema for recursos humanos, é uma situação.

Você não precisa necessariamente contratar profissionais para o instituto. Você pode contratar pessoas para determinado projeto e essas pessoas deixam a instituição com o término do projeto.” Nas próximas semanas, Coelho continuará no Parque finalizando projetos em andamento. Uma cerimônia na AEB será marcada para os próximos dias.

O Vale

Fundação Cultural tem apresentação especial nesta Segunda

A Fundação Cultural Cassiano Ricardo (FCCR) preparou uma apresentação especial do tradicional Clube do Choro Pixinguinha para esta segunda-feira (23), às 19h, no Espaço Mário Covas (Praça Afonso Pena, 29), no centro. Com entrada gratuita, sem a necessidade de retirar ingressos antecipadamente, o show é uma homenagem ao Dia Nacional do Choro.

Além de canções de Pixinguinha, que será homenageado também neste dia, o repertório terá composições de renomados artistas, como Ernesto Nazareth, Waldir Azevedo. Jacob do Bandolim, entre outros. A regência é do maestro José Antonio da Cunha.

O dia 23 de abril foi escolhido como o Dia Nacional do Choro por ser a data de nascimento de Pixinguinha. A lei que determinou essa homenagem é de setembro de 2000 e teve como base a iniciativa do bandolinista Hamilton de Holanda e os alunos da Escola de Choro Raphael Rabelo.

História

Alfredo da Rocha Vianna Filho, ou Pixinguinha, foi um dos músicos mais importantes da fase inicial da Música Popular Brasileira (MPB) e teve participação fundamental no choro como forma musical. Ele é considerado por alguns analistas como o “Bach” do choro pela perfeição de suas modulações e o virtuosismo de seu contraponto. Como é tido como o maior de todos os tempos, já que era capaz de improvisar durante horas seguidas em rodas de choro.

Clube

Criado em outubro de 1994, a partir do sonho de músicos amantes do choro e moradores de São José dos Campos, o Clube do Choro Pixinguinha possui mais de 300 membros. O grupo realiza atividades de caráter profissionalizante, educacional e informativo, por meio de cursos, oficinas, palestras, workshops, práticas de bandas e orquestras, reuniões com a comunidade, produção artística e shows.

Mais informações pelo telefone 3924-7319.

Prefeitura Municipal

Acordo firma instalação de instituto do ITA E MIT na cidade

Um acordo firmado ontem entre o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) e o MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), dos EUA, prevê a instalação de um centro de inovação do setor aeroespacial em São José dos Campos.

O convênio, que também inclui expansão do intercâmbio entre alunos das duas universidades, foi assinado pelo reitor do ITA, Carlos Pacheco, que integra a comitiva da presidente Dilma Rousseff (PT) em visita aos EUA desde anteontem. “Com o acordo queremos repensar a maneira como ensinamos engenharia e quais cursos novos vamos abrir”, afirmou Pacheco.

Nos próximos seis meses, as duas instituições trabalharão juntas na formatação da parceria, que já tem definida a concessão de 50 bolsas de estudo para doutores brasileiros estudarem no MIT. “Vejo (a parceria) com bastante otimismo e excelentes perspectivas, primeiramente para o ITA. Se isso vai beneficiar a indústria, é consequência. É um passo muito interessante”, disse o presidente da AAB (Associação Aeroespacial Brasileira), Paulo Moraes Júnior.

Ele lembrou que o MIT foi um dos colaboradores da fundação do ITA em 1950, com a implantação da mesma filosofia de ensino. “É um modelo de integração entre escola e residência no campus, o que possibilita um contato maior entre professor e aluno. O MIT é uma instituição bastante respeitada e muita gente que estudou lá se tornou empreendedor”, disse Moraes.

Além do MIT, a comitiva brasileira, que também conta com os ministros da Educação, Aloizio Mercadante, e da Ciência e Tecnologia, Marco Antonio Raupp, visitou ontem a Universidade de Harvard, onde foi oficializada nova parceria para intercâmbio. Para Moraes Junior, parcerias com as instituições norte-americanas são benéficas pois há defasagem no número de engenheiros formados no país.

“Nós não estamos encontrando engenheiros. Apesar do esforço de todas as escolas, formamos poucos engenheiros. O MIT vem para agregar valor, não para concorrer. A cidade tem corpo para absorver uma instituição desse porte”, afirmou Moraes Júnior.

Após visita, Mercadante afirmou que o governo brasileiro negociava com a universidade a implantação de uma sede no Brasil. A assessoria do MIT desmentiu o ministro, afirmando ter havido um mal entendido, e ressaltou que o instituto não abre unidades de ensino fora dos Estados Unidos.

O Instituto de Tecnologia de Massachusetts, com sede em Cambridge, foi fundado em 1861 e é um dos líderes mundiais em ciência e tecnologia. Hoje, há 58 estudantes brasileiros no MIT. Já o ITA recebe por aluno 120 novos alunos.

O Vale