Prefeitura renova convênio para internação de Adultos Dependentes

A Secretaria de Saúde de São José dos Campos vai expandir para adultos dependentes químicos a opção de internação compulsória ou involuntária na comunidade terapêutica Nova Esperança, no Parque Interlagos, na zona sul. A medida já é adotada com adolescentes com guarda judicial. Eles são internados após avaliação, laudo médico e ordem do juiz da Vara da Infância e Juventude.

Para tanto, a Secretaria de Saúde renovou ontem o convênio com a Nova Esperança, válido até julho de 2013. São 20 vagas disponíveis para internação masculina, metade delas para adultos. O contrato é de R$ 336 mil.

A diferença entre os dois tipos de internação involuntária e compulsória é que a primeira é ato médico sobre um paciente em um momento crítico. Já a segunda é ato judicial. Feita à revelia do paciente, a internação compulsória vem causando polêmica e dividindo opiniões.

Há quem a defenda para salvaguardar a vida do usuário de drogas por ele não mais conseguir decidir o rumo de sua vida, em razão do consumo constante de drogas ou álcool. Mas também existem opiniões contrárias, que apontam supressão dos direitos individuais e o risco de o paciente processar o médico.

“Falar em direito de escolha para viciado é absurdo, pois ele perdeu o poder de escolha e cabe à família e ao médico tomar a decisão de interná-lo”, disse, em nota, a psicóloga Marisa Lobo, coordenadora do movimento “Maconha Não”.

“A internação compulsória, ao suprimir direitos individuais, abre a possibilidade para abusos”, afirmou Roberto Tykanori, coordenador da área técnica de Saúde Mental do Ministério da Saúde. Em São José, adolescentes são internados compulsoriamente a pedido de familiares, do Conselho Tutelar ou por meio de serviços de atendimentos social ou em saúde. Toda internação tem que ser determinada judicialmente.

“Temos obtido bons resultados na internação compulsória dentro do que se espera de um dependente jovem, em razão da sua vulnerabilidade e do baixo autocontrole”, disse Patrícia Minari, coordenadora do Caps-Ad (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas) de São José.

Com bem menos casos de adultos internados à revelia, o serviço de saúde vai estender essa opção para dependentes químicos. Para tanto, serão necessárias avaliações, laudo médico e uma ordem judicial. O tempo mínimo de internação para tratamento na Nova Esperança é de seis meses.

O Vale

Dependentes são retirados da rua

Em um mês, o programa de tratamento dos dependentes químicos da Prefeitura de São José dos Campos já internou 36 viciados em drogas do município. O trabalho começou em7 de junho e, desde então, moradores de rua que são viciados em crack estão sendo encaminhados à comunidade terapêutica Nova Esperança, localizada no Parque Interlagos, zona leste.

O projeto é chefiado pela Secretaria de Desenvolvimento Social, que planeja investir R$ 2 milhões no tratamento de dependentes até o fim deste ano. Internação. O projeto prevê o tratamento e reinserção à sociedade de dependentes químicos que moram na rua em São José.

Segundo Francisco Sawaya de Lima, secretário da SDS, a recuperação do viciado é feita em três partes. As assistentes sociais são responsáveis pela primeira abordagem e por mostrar ao dependente a importância em aceitar o tratamento.

Comunidade. O morador de rua que aceitar, é encaminhado à Comunidade Terapêutica Nova Esperança. Segundo Fabio Cristiano Ferreira, proprietário do local, a pessoa fica na clínica entre seis meses e um ano, e após ser liberada, tem de receber acompanhamento. Bolsa. Após terminar o período de internação, a SDS paga durante dois anos uma bolsa mensal de R$ 517, além de uma cesta básica. O dependente também receberá um curso de dois anos no Sesi ou Senac.

Estrutura. A comunidade que recebe há um mês os dependentes tem estrutura para receber 120 usuários de drogas. Há 60 vagas para pessoas encaminhadas pela prefeitura. A SDS afirma que há 80 moradores de rua dependentes.

L.A, 28 anos, faz tratamento desde o dia 7 de junho. Ele morava na rua, no bairro Monte Castelo há um ano e decidiu aceitar o tratamento por não conseguir abandonar o crack por vontade própria.

PM fez cadastro de usuários do centro

A Polícia Militar realizou entre março e junho um levantamento dos usuários de crack na região central de São José. O levantamento foi entregue à Secretaria de Desenvolvimento Social no início do trabalho e ajudou a nortear as abordagens aos moradores. O trabalho da PM foi realizado devido ao crescimento dos furtos realizados por viciados.