Hospital da cidade ganha voluntárias para ajudar grávidas

Ainda que a sua mãe biológica – a professora Almerita Teodoro de Jesus, 52 anos – estivesse presente em todos os momentos ao longo daquele dia, assim que a estudante Alessandra Teodoro Diniz, grávida aos 16 anos, deu entrada no hospital Antoninho da Rocha Marmo, por volta das 11h, ganhou uma mãe adotiva. Ela a ajudaria nas próximas horas com técnicas que aliviariam as dores pré-parto e ajudariam o bebê a vir ao mundo.

Eunice Sebben Lindemeyer, 54 anos, é professora e há oito anos trabalha voluntariamente como doula (assistente de parto) no hospital de São José. Todas as segundas e quartas-feiras, além de acalmar as futuras mamães, Eunice ajuda na indução do parto natural, evitando cesáreas.

“Somos em 13 doulas que se revezam ao longo da semana. Todas voluntárias. É um trabalho que fazemos por prazer. Ajudamos a mãe no pré-parto e depois com os primeiros cuidados com as crianças”, afirmou Eunice. Em Alessandra, foram aplicadas algumas técnicas. Ela passou parte do tempo sentada na cadeira de balanço, tomou banho de chuveiro, caminhou pelos corredores do hospital e ganhou muita, mas muita massagem lombar, aplicada ora por Eunice ora por Almerita, que aprendeu direitinho a técnica. “Elas são como mães mesmo, dão apoio físico e emocional. Não conhecia esse serviço, é excelente. Na época em que tive filhos não tinha nada disso”, disse Almerita, mãe de cinco filhos.

Apesar da pouca idade, Alessandra aguentou o longo trabalho de parto em silêncio. A cada contração forte, suas ‘mães’ se revezavam com carinhos, beijos, massagens, palavras de apoio ou simplesmente oferecendo a mão. A mãe biológica saia eventualmente para chorar, liberando a ansiedade em ver a nova neta e o nervosismo por estar a sua caçula naquela situação.

“Tenho de ser forte na frente dela. Mas o coração está apertado”, disse Almerita. “Não escondemos aqui que vai doer e que vai ser incômodo. Por outro lado, ajudamos a facilitar o parto. Ainda que a natureza mande no corpo e na hora do nascimento, tentamos fazer com que tudo ocorra de forma natural e que o bebê venha logo”, afirmou Eunice.

Depois de um exame, o parto foi definido para as 16h. Ali acabava parte do trabalho de Eunice. Almerita foi para o centro cirúrgico e acompanhou o nascimento de sua neta, às 16h31. Yasmim veio ao mundo, com 4,025kg e 18cm. Eunice, que já estava dando apoio a outras moças, aguardava Almerita e Alessandra na maternidade: queria conhecer suamais nova “neta”.

O projeto desenvolvido no Antoninho da Rocha Marmo foi trazido há oito anos pela irmã Denise Alves de Freitas, enfermeira obstetra, inspirado no trabalho realizado no hospital Sofia Feldman, de Belo Horizonte (MG). “Conheci o trabalho desenvolvido lá e fui até Belo Horizonte para trazê-lo para cá. Essa é uma forma de humanizar o parto”, afirmou a feira.

Para fazer parte da equipe, além da candidata ser voluntária, ela deve ter um determinado perfil. “Ter experiência com partos, de preferência ser mãe e transmitir tranquilidade à gestante”, disse Denise. Um curso com cerca de um mês de duração é ministrado no próprio hospital às interessadas. Nele são aprendidas técnicas que poderão ser usadas, a importância do parto natural na saúde da mulher e cuidados com a gestante e o bebê.

O Vale

Publicado em: 01/04/2013

Cidade conta com voluntários na Defesa Civil

Encarar uma dupla jornada de trabalho por prazer é para poucos. Mas o bombeiro Silvio Rodolfo Pereira Junior, 24 anos, não mede esforços quando o assunto é ajudar o próximo. No seu tempo de folga, longe da rotina da corporação, o rapaz se envolve em outro serviço: ele é voluntário da Defesa Civil de São José há um ano.

Não só Pereira, mas outras 249 pessoas estão cadastradas no banco de voluntários do órgão, que desde 83 atua em emergências, como inundações, soterramentos, queda de barreiras e queimadas. “Temos atualmente 100 pessoas ativas, prontas para atender qualquer chamado”, afirma José Benedito da Silva, coordenador da Defesa Civil.

Sangue frio. Paciência, boa vontade, interesse e o desejo de ajudar o outro fazem parte do lema da Defesa Civil. “As pessoas que desejam fazer parte da equipe têm de ter em mente que o pagamento é a satisfação de ver a vítima saindo ilesa”, afirma Pereira.

O guia de montanha Carlos Alberto de Carvalho, 51 anos, voluntário há 12 anos, o Carlão, concorda com o bombeiro. “Já aconteceu de eu chegar em um acidente e não poder fazer mais nada porque a vítima já se encontrava morta. Isso é muito triste”, disse.

Para que o trabalho seja agradável, cada voluntário atua na área que tem maior afinidade. A enfermeira Emiliana de Toledo Oliveira Nascimento, 33 anos, atua a cada 15 dias na ambulância. “Em uma chamada, nunca sabemos com certeza o que vamos encontrar no local da ocorrência”, afirmou a moça, voluntária desde 2010, que é casada e mãe de dois filhos. “Eles me apoiam. Sabem que é algo que eu gosto”.

De acordo com o coordenador da Defesa Civil, a existência dos voluntários não tem a ver com a falta de funcionários. “As pessoas vêm até nós por vontade espontânea. Aliás, o cadastro começou a partir dos voluntários. São pessoas que sempre quiseram ajudar mas não sabiam como”, afirmou. “Nada é obrigatório. As pessoas podem entrar e sair quando quiser. E, como conciliam o seu trabalho com as atividades da Defesa, elas mesmas determinam os horários que estão disponíveis”, disse.

“Considero este um serviço gratificante. Nós acabamos conhecendo novas pessoas e outras histórias de vida, algumas muito tristes”, afirmou Emiliana. “Com a vivência, o dia a dia do voluntariado, passamos a dar mais valor às coisas simples da vida e paramos de reclamar tanto”, disse.

O Vale