Mudança na direção do centro do CTA ocorre em meio ao corte de verbas

Em meio ao corte de verbas do Ministério da Defesa, anunciado pelo governo federal na semana passada, o DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial), em São José, terá a troca de comando hoje, em solenidade às 10h. Em cerimônia militar, o tenente-brigadeiro do ar Gerson Nogueira Machado de Oliveira, 58 anos, assume o comando do DCTA das mãos do atual diretor-geral, o tenente-brigadeiro do ar Ailton dos Santos Pohlmann. A FAB (Força Aérea Brasileira) não informou qual será o destino de Pohlmann após deixar o comando. Paulista de Araraquara, Oliveira completará, em 2014, quatro décadas de trabalho na FAB. O último cargo dele foi o de vice-chefe do Estado-Maior da Aeronáutica. Ele também chefiou o Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro.

Em São José, o desafio do novo diretor será resolver a ameaça de falta de funcionários no DCTA. O corte de R$ 919,4 milhões do Ministério da Defesa, segundo o Sindct (Sindicato Nacional dos Servidores Públicos Federais na Área de Ciência e Tecnologia do Setor Aeroespacial), ameaçará preenchimento de 880 cargos criados para repor pessoal no DCTA. “Os cargos foram autorizados pelo governo. A preocupação é se esse contingenciamento não poderá atrasar os concursos públicos. A falta de pessoal é grave no DCTA e pode ameaçar projetos importantes”, disse Ivanil Belisário, presidente do Sindct. Com o currículo recheado de cursos e experiências operacionais, Oliveira tem 14 condecorações nacionais e 1 estrangeira. Agora, o desafio dele será evitar a perda de projetos no DCTA.

Direção Sindicato teme demissões na Embraer

A direção do Sindicato dos Metalúrgicos de São José teme uma nova demissão em massa na Embraer, três anos após a empresa enfrentar uma de suas piores crises e dispensar 4.273 funcionários em um único dia. De acordo com a entidade, mudanças na gerência da empresa aconteceriam há três semanas, o que teria gerado um clima de tensão entre os funcionários.

Ontem, o sindicato enviou ofícios ao prefeito Eduardo Cury (PSDB), ao ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, e à própria Embraer pedindo informações sobre os rumores. Ao prefeito e ao governo federal, os metalúrgicos pediram intervenção junto à empresa para assegurar os postos de trabalho. Já à Embraer, a solicitação é para que a empresa publique um comunicado desmentindo o risco da demissão.

“Quando os rumores começaram, não acreditamos muito, pois o momento da empresa é bom. No entanto, essa mudanças na gerência e a não confirmação (da manutenção dos empregos) da empresa por meio de um comunicado deixaram o clima tenso na fábrica”, disse o vice-presidente do sindicato, Herbert Claros.

Sindicato e o Departamento de Recursos Humanos da Embraer chegaram a se reunir para debater o assunto. No encontro, no último dia 25, a empresa descartou a possibilidade de demissão. “Desde então, a empresa não confirmou aos trabalhadores que os empregos seriam mantidos, o que só aumentou a tensão. O clima está parecido com o de 2009”, afirmou Claros.

Em 19 de fevereiro de 2009, a Embraer anunciou a demissão de 4.273 funcionários, reflexo da crise econômica iniciada um ano antes, que atingiu diretamente o setor aeronáutico mundial. Claros reconheceu que o momento atual da empresa é diferente do de 2009, no entanto, cobra uma confirmação da manutenção dos postos. “Em 2009, a empresa mandou um documento às 9h ao sindicato desmentindo as demissões. Às 16h, estava mandando mais de 4.000 embora”, afirmou.

A Embraer, por meio de sua assessoria, informou que os rumores de demissão em massa não procedem e que o sindicato, em seu próprio comunicado, reconhece que o momento da Embraer é bom. A empresa salientou que já afirmou ao sindicato que não há intenção de realizar demissões e que não pretende publicar comunicado.

Dados da empresa mostram que, entre o final do ano passado e abril deste ano, cerca de 700 postos de trabalho foram gerados. O desenvolvimento de projetos no setor de defesa e o aumento do portfólio executivo da companhia fizeram com que 200 engenheiros fossem contratados este ano.

A prefeitura, também por meio de sua assessoria, confirmou o recebimento do ofício, enviado no período da tarde de ontem via email. No entanto, como o prefeito cumpria agenda no momento do envio do documento, ele não havia lido o comunicado, o que inviabilizaria o Executivo de comentar o assunto. Já a Secretaria Geral da Presidência não se manifestou sobre o documento, nem confirmou o recebimento da carta.

Imagem: Aero.Jor

O Vale