Centro de Detenção da cidade se encontra superlotado

Com capacidade para 512 presos, o CDP (Centro de Detenção Provisória) de São José dos Campos abriga atualmente 1.349 detentos. A superlotação coloca em risco a segurança da unidade, mas não é um fato isolado na região.

As 12 unidades prisionais do Vale do Paraíba e Litoral Norte têm capacidade para receber 6.763 detentos. Porém o número de presos chega a 10.922, ou seja, 61,79% a mais do que comportam. O aumento da população carcerária, segundo o governo do Estado, se dá por causa do aumento no número de prisões efetuadas nos últimos anos. De acordo com dados fornecidos pela SAP (Secretaria da Administração Penitenciária) a média de prisões foi de 26,04 presos há mais por dia, em 2011.

Para se ter uma ideia do tamanho do problema, o número de presos no Vale e Litoral é maior do que a população de 16 cidades da região. Situação semelhante a de São José ocorre com o CDP de Taubaté que tem capacidade inicial para 768 pessoas e hoje abriga uma população de 1.813 presos. Isso representa 1.045 detentos a mais ou 136,06%.

O Estado afirmou que tem um Plano de Expansão em andamento para tentar solucionar o problema, no qual estão previstas a criação de 49 unidades com investimento de R$ 1,5 bilhão. Dessas foram inauguradas cinco unidades até o momento. Uma delas foi a cadeia feminina em Tremembé, em abril do ano passado, a única da região que não tem superlotação, já que a capacidade é para 664 detentas e a população, até o momento, é de 549.

O plano de expansão prevê a criação de mais de 39 mil vagas para o sistema prisional, porém o Vale não está incluído nessa conta. Para Tereziano Gimenes, diretor do Sindasp (Sindicato dos Agentes de Segurança Penitenciária do Estado de São Paulo) no Vale, a superlotação dos presídios é a realidade do Estado e um problema social.

“A criminalidade cresce em proporções alarmantes e o Estado não consegue suprir a demanda de vagas em presídios”, afirmou Gimenes.

O Vale

Aeroporto bate recorde recebendo pessoas a mais

O Aeroporto de São José recebeu 236.084 passageiros em 2011, quase o triplo do ano anterior, quando 84.176 embarcaram ou desembarcaram no município. O crescimento de 180% foi o maior entre todos os terminais administrados pela Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária) no país. O movimento também superou a sua capacidade, de 90 mil passageiros por ano.

Apesar do crescimento, o futuro do terminal segue sem definição. A atual estrutura é alvo de críticas de lideranças da região, que defendem a ampliação para a atração de novos negócios para o Vale do Paraíba. “A Infraero sabe desse crescimento, mas finge que não sabe. A prioridade dela são outros aeroportos, e o de São José vem depois do último da lista”, disse o presidente da ACI (Associação Comercial e Industrial) de São José, Felipe Cury.

As companhias aéreas que operam na cidade também manifestaram a necessidade da ampliação do terminal a fim de aumentar os voos. Pela falta de investimentos no terminal, a Azul reduziu no início do mês de quatro para dois os voos em São José.

Em novembro de 2011, a prefeitura apresentou à SAC (Secretaria de Aviação Civil), órgão vinculado à Presidência da República, proposta de municipalizar o aeroporto. A intenção seria acelerar o projeto de ampliação do terminal. A mudança aconteceria depois de 2013, quando termina a atual concessão à Infraero.

Dois meses após a entrega do documento, a prefeitura segue sem resposta. “Ligamos semanalmente à Secretaria de Aviação Civil, mas continuamos sem obter uma resposta, sequer uma sinalização”, disse José de Mello Corrêa, secretário de Desenvolvimento Econômico de São José.

A resposta da SAC virá juntamente com o Plano Geral de Outorgas, que traçará o potencial de crescimento de todos os aeródromos do país o documento deve ser divulgado até o fim de fevereiro. “Essa operação do aeroporto acima de sua capacidade é lamentável. A própria Infraero, que dizia que não havia demanda em São José, vê que é lamentável”, disse Mello.

A Infraero afirma investir no aeroporto de São José e estuda uma medida paliativa para aumentar a capacidade atual do terminal.

A Infraero disse ter investido em 2011 cerca de R$ 7,5 milhões na recuperação da pista e mais R$ 15 milhões na manutenção da estrutura do aeroporto de São José. A empresa estuda a instalação de um MOP (Módulo Operacional de Passageiro), uma espécie de container com custo estimado em R$ 16 milhões, para aumentar a capacidade do local de maneira emergencial.

A atual estrutura do terminal de São José incomoda os usuários do local. “Às vezes, alguns conhecidos que passam pelo aeroporto até brincam o chamando de mini-rodoviária. A falta de estrutura do aeroporto incomoda muito. Faltam atendentes, vagas de estacionamento, sendo que há demanda, os voos saem sempre lotados”, disse o analista de sistemas Rafael Bessa, 26 anos.

O Vale