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Publicado em 09/10/2013 às 09:18

Enade reprova 63 de 91 cursos da região avaliados em prova

O Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) de 2012 considerou insatisfatórios 63 de 91 cursos de graduação superior avaliados em faculdades da Região Metropolitana do Vale do Paraíba. Divulgado anteontem pelo MEC (Ministério da Educação e Cultura), o resultado do Enade 2012 considerou 28 cursos satisfatórios entre o total analisado na região. O índice monitora a qualidade dos cursos de graduação e divide as instituições universidades, faculdades e centros universitários por totais que vão de 0 a 5 pontos (Conceito Enade). Avaliações abaixo de três são consideradas insatisfatórias pelo MEC, que aplica o exame em estudantes concluintes do ensino superior.

Em 2012, fizeram a prova 469.478 alunos de 7.228 cursos de todo o país, nas áreas de Humanas e Tecnologia, pertencentes a 1.646 instituições de educação superior brasileiras. A prova teve 20,1% de abstenção em todo o país 587.351 estudantes estavam habilitados e inscritos. De acordo com o MEC, a nota real do Enade é composta de números fracionados. As instituições de ensino, contudo, recebem um número inteiro e aproximado conforme tabela usada pelo Ministério. Segundo o MEC, cerca de 30% dos cursos analisados ficaram abaixo da média considerada aceitável no Conceito Enade.

Na região, o índice é mais do que o dobro da média nacional. Foram considerados insatisfatórios 69,23% dos cursos avaliados. Cinco das faculdades com mais alunos na região tiveram cursos reprovados: Univap (Universidade do Vale do Paraíba), Unitau (Universidade de Taubaté), Unip (Universidade Paulista), Fatec (Faculdade de Tecnologia) e Faculdades Anhanguera. As universidades minimizaram a nota dada pelo Enade (leia texto nesta página). O Conceito Enade é o principal indicador do IGC (Índice Geral de Cursos) do MEC, que será divulgado no final de outubro, segundo o Ministério.

Os cursos com os piores resultados na região foram Administração, Ciências Contábeis, Direito e Tecnologia em Logística. De 19 cursos de Administração avaliados, 16 foram considerados insatisfatórios, segundo os critérios do Enade. Em Direito, foram cinco de oito. Tecnologia em Logística teve 7 cursos insatisfatórios de 9 avaliados. Ciências Contábeis ficou com 6 de 9 cursos avaliados pelas provas. Para Mauro Castilho, doutor em História da Educação pela PUC (Pontifícia Universidade Católica), o Enade é um importante referencial. Sobre o resultado negativo na região, ele disse que não se pode generalizar. “Podemos incorrer em erros de avaliação”. Castilho acredita que a política de “massificação” do ensino superior “tende a prejudicar a qualidade dos cursos”, com faculdades colocando até 100 alunos em uma sala de aula. “Essa realidade é absolutamente inaceitável”, afirmou o professor.

O sistema de notas usado pelo MEC para compor o índice do Enade provoca avaliações conflitantes de um mesmo curso. A assessoria do MEC explicou que a nota real é dada com o número fracionado, isto é, com duas casas depois da vírgula. Mas a nota enviada às instituições é aproximada e inteira, sem vírgula. Um curso pode ir de 1,98 para 3. As universidades e faculdades da região minimizaram o índice dado pelo Enade 2012, que considerou insatisfatórios 63 de 91 cursos avaliados.

Para as instituições, a nota não é a única na avaliação do ensino superior no país. Em nota, a Unitau disse que “o exame é um dos indicadores da qualidade do ensino, mas não é o único e não reflete, necessariamente, a realidade do curso”. Os motivos seriam “o preparo e a disposição do aluno para a prova, que podem ser determinantes para o resultado”. Também em nota, a Univap informou que está remodelando o curso de Ciências Contábeis, que não abre vagas desde 2010. Os demais cursos, segundo a instituição, receberam notas 3 e 4 do MEC. Representantes das demais faculdades não foram localizados ontem.