Embraer cria laboratório de materiais sustentáveis

A Embraer inaugura na semana que vem, em São José dos Campos, um laboratório para desenvolver produtos a partir de materiais sustentáveis e usá-los no interior das aeronaves. Trata-se do Material Concept Lab, que será instalado na unidade da empresa no distrito de Eugênio de Melo, na região leste de São José. De acordo com a Embraer, o espaço permitirá a fornecedores o contato com materiais inéditos que possuem potencial de utilização na indústria aeronáutica. Primeiro do gênero no país, o acervo reúne 150 referências e amostras de materiais de origem nacional, selecionados com foco na sustentabilidade e na adequação ambiental. Para tanto, a Embraer contou com consultoria da Matéria Brasil, que tem escritórios no Rio de Janeiro e em São Paulo e que pesquisa materiais sustentáveis. A empresa mantém uma “materioteca” com mais de 800 produtos responsáveis fabricados prioritariamente no Brasil. Há itens como palha de seda, lâmina de bambu para revestimento e malha de algodão orgânico.

O laboratório, segundo a Embraer, é resultado de um estudo que selecionou materiais de baixo impacto ambiental, naturais e sintéticos, de diversas características, como metais, cerâmicos, polímeros, têxteis e compósitos. Destes, alguns já foram pré-validados pelo Centro de Validação de Interiores da Embraer, tendo passado por diversos testes necessários para compor o interior de uma aeronave. “O laboratório apresenta novas oportunidades para quem deseja fornecer para a indústria aeronáutica” disse, em nota, Mauro Kern, vice-presidente executivo de Engenharia e Tecnologia da Embraer. “Mais do que pelo acervo, o espaço é importante porque ajuda a estimular a cultura de explorar materiais inéditos, que não estão prontos ou disponíveis no mercado, aumentando o potencial de inovação de toda a cadeia.” Além de servir como referência para fornecedores, que poderão acessar o laboratório, o Embraer Material Concept Lab será utilizado para pesquisas em parceria com o meio acadêmico e outras indústrias, como a automobilística.

Na avaliação do geógrafo Thiago Vedova, coordenador das áreas de Comunicação e Educação da Matéria Brasil, o uso de produtos ambientalmente adequados pode aumentar ainda mais o valor de mercado da Embraer. “Há uma corrida verde no setor e a Embraer está dando um passo muito positivo. Para ela e para os fornecedores”. Em parceria com a Boeing, a Embraer lançou no último mês de junho um plano de ação para desenvolver a indústria do biocombustível para a aviação no Brasil, o bioQAV. O país já tem algumas linhas de pesquisa para o desenvolvimento do biocombustível, tendo como matéria-prima a cana-de-açúcar, a soja, o eucalipto ou o pinhão manso. A questão é criar escala para que esses produtos cheguem na bomba de abastecimento dos aeroportos a um preço competitivo com o QAV (querosene de aviação). Já há algumas refinarias certificadas para vender o bioQAV, mas os custos são de três a 10 vezes mais do que o combustível de petróleo. Além das duas empresas, a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) também é parceira no plano de ação.